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media-zines collection

 

Não tenho certeza sobre a existência verdadeira de media-zine como um termo, mas o que quero dizer é que é uma zine média, menor que uma zine de tamanho mais comum como A5 e maior que um minizine, que costuma ser no máximo A7. Também incluo nessa categoria as zines que são apenas uma folha A4, dobradas ou não, e formatos além de As. Com isso em mente, vou apresentar minha coleção de zines desse tipo.

zines Duda Carneiro

A Duda foi a primeira pessoa que me enviou uma zine por correio, e eu ansiava por esse acontecimento! Nem lembro exatamente quando começamos isso, se foi em 2018, 2019... e ate hoje trocamos coisas. Ela é de Brasilia, estudante de artes e cartunista, atualmente tem um selo de publicações em conjunto do namorado, que se chama Selo Sapo Estrela. Os quadrinhos dela sempre tem um humor ácido, uma ironia, uma coisa horrível e estranhamente engraçada. A maioria desses são mais antigos, de quando ela tava no ensino médio, os mais recentes são Café & Papel (2023) e Capitã Nebula (2022), além disso ela tem muitas outras publicações que são muitos grandes ou muito pequenas pro media-zine ofkdspofksd

 Manual da boa garota (s.d.), Ovelha Negra n. 2 (maio/2019), Cogumelos em chamas (2022)

zines José Roberto Celestino

quadrinho panqueca
José Roberto Celestino, é quadrinista e artista de Petrolina, Pernambuco. Nos viramos amigos durante a pandemia por conta de uma oficina online de quadrinhos ministrada pela Carol Ito. Eu gosto muito de como ele escreve diálogos, e como o desenho as vezes demora para se formar e como isso da um ritmo diferente pras narrativas. Na foto eles estão do mais do mais velho pro mais recente. Acho que o meu favorito é o Catapora (2022), todos são compilados de quadrinhos que ele produz quase diariamente, esse em especial é uma seleção muito engraçadinha e tem um dos meus prediletos, o da panqueca! 

Familia Adams Sandler, colagem de Thiago Cruz

Isto não é uma revista de terror, é um apanhado de quadrinhos completos e ideias de comédia e terror por Cláudio Mor, Leonardo Pascoal e Thiago Cruz. É bem divertido e o mais com profissional no acabamento, me lembra uma mini revistinha que acompanha um jogo de CD. Eu comprei ano passado numa feirinha de rua junto do Garimpando Letrinhas e dos escritos de Guilherme Theo. 

Garimpando Letrinhas nº. 8 (2007), são escritos de Marcela Gadelha e Cláudio Carvalho. Ele é meio como se imagina um zine quando se descobre o que é um zine fodkfpodsfk são críticas a sociedade e devaneios de fácil digestão, com muito xerox, letras de mão e colagens. Me deixa curiosa sobre como eram as outras edições, como eram distribuídas, como era o circuito de zine nos anos 2000?

Bikini Kill - The singles
Minhas letras favoritas (2022)
É exatamente o que diz, as letras favorita de Julia Caus Falce, do album The Singles do Bikini Kill, dispostas de uma forma divertida e ilustrada. A Júlia é também responsável pela zine Chorona, líder da banda Júlia e as Choronas e mil coisas mais. 

Cara pessoa - questionário (2018), escrito por Luana Alt tem formato bloco de anotações, abre no sentido vertical, e é composto por várias perguntas de múltipla escolha sobre o que você é. Esse ganhei durante minha primeira feira gráfica, quando visitei o dia de portas abertas da faculdade (que estudo hoje!).

Garimpando Letrinhas  nº. 8 e Bikini Kill - The Singles


Poustplaf: Luiza no Centro de Porto Alegre (2018) é uma zine sobre esse projeto, Poutsplaf, do fotografo Gustavo Razzera, sobre a arte e o erótico, de forma documental e ensaiada quase ao mesmo tempo. Ganhei em uma oficina de fotografia com placas de raio-x que fiz na casa de cultura com o próprio Gustavo em 2021, quando estava me mudando para Porto Alegre e as aulas da universidade estavam voltando ao presencial. 

Talvez o nome dessa seja 'a reba dos 30' (ou 'o retorno de Saturno')o u talvez seja só escritos de Guilherme Theo, eu não sei e talvez nunca saiba! Essa gosto muito do papel vermelho com as letras pretas, os escorpiões que emolduram o título da folha que dobrada vira a capa, e esse desprendimento de ser só uma folha dobrada e quando abre tem muitos poemas frente e verso como um encarte de CD com as letras das músicas. Foi umas minhas inspirações pra essa zine que fiz

eu queria ser bonita e superstar


Ontem teve Festa da Zine. Melhor edição até agora. Terça a noite eu gastei o que vinha guardando e fiz uma coisa que realmente gosto e foi ótimo. É uma zine que é uma folha só, meio cartaz e  do outro lado, poema de retalhos. O formato veio de uma zine que peguei numa feira que é só uma folha A4 vermelha com vários poemas e escritos dobrada e o poema em si, veio de um exercício que fizemos na aula de texto semestre passado, de juntar falas de outras pessoas. Lembrei dele e comecei com a primeira coisa que ouvi quando decidi fazer.

  1. eu sei que eu nasci pra saber
  2. eu não sou como imagino
  3. vou dar um tempo,
  4. preciso distração
  5. as vezes cansa minha beleza
  6.  essa falta de sensação
  7. e de emoção
  8. cada um por si e
  9. Deus contra todos
  10. hey girl what you're gonna do?
  11. querida superhist
  12. repita comigo:
  13. "eu mereço lingeries novas"
  14. secretamente friday
  15. i'm in love
  16. ser esmagada por um piano
  17. que caiu do ultimo andar
  18. do edifício
  19. baby pare de querer
  20. e desejar you don't know me
  21. bet you'll never get to know me
  22. at all
  23. e vou assim
  24. e vou assim
  25. e venho assim
  26. uma cidade toda feita contra ela
  27. eu só minto na hora exata da mentira
  28. o jeito é acreditar:
  29. acreditar chorando
  30. mudei de ideia
  31. eu digo
  32. ate nunca mais
A ideia de tudo começou com fazer uma zine cartaz. A semana inteira minha prima anda falando como eu sou bonita, mas de uma forma que até me sinto mal de ouvir... e nesse dia mesmo ela olhou nos meus olhos e disse isso de novo e eu comecei a pensar em como me sinto constantemente horrorosa e penso como tudo seria diferente se eu fosse bonita, como se deve ser. 

Algumas coisas nesses últimos meses tem me deixado mais confiante com meu trabalho dentro e fora da universidade, e isso é bom e parece que essas coisas vão bem. Essa semana uma professora perguntou se queríamos estar na história da arte. Sim, eu quero demais! E me fez lembrar da Macabéa, que tem sido uma personagem constante nos meus pensamentos, e em como eu queria saber tocar algum instrumento ou só ter ritmo ou noção suficiente para fazer um barulho interessante. Ainda tem minha banda fictícia, conceitual com a Joana: Lucinha chupa-sangue. Seguindo na música tem esse desenho que acho que é do ano passado ou retrasado que fiz de uma foto do Sleater-Kinney, uma banda riot grrrl de 1994. 

O poema é quase todo de letras de músicas, que estava ouvindo na hora e que fui lembrando. Fiz sem pensar e no fim da folha, quando decidi que estava pronto, li e achei que era isso. Perfeito! Numerei cada frase para explicar a referencia de cada parte. 

1. Agora só falta você - Rita Lee
2. Pensamentos e anotações meus...
3-7. Fruto Proibido - Rita Lee
8-9. Anotação, acho que ouvi na rua
10. Hey girl what you're gonna do? - Jupiter Apple
11. Querida Superhist X Mr. Frog - Júpiter Apple 
      Descobri recentemente que Superhist é um remédio pra gripe, dor, febre, nariz entupido...
12-13. Frase que tem em uma vitrine do centro, e também inspiração pra uma música da Lucinha
14-15. Friday i'm in love - The Cure e pensamentos
16-20. Pensamentos e anotações; Edifício Baby é um prédio verde claro curioso que fica entre o campus central e o Instituo de Artes
20-22. You don't know me - Caetano Veloso
23-25. Tinindo trincando - Novos Baianos
26-29. A hora da estrela - Clarice Lispector
30-32. Mudei de ideia - Rosinha de Valença

Tudo isso também me recorda de uma entrevista do Tom Zé que vi uma vez (e nunca mais achei!!), onde ela conta que uma música, a qual não lembro, era toda roubada, porque cada verso vinha de outra música de outra pessoa. Viva a apropriação, a destruição e a criação!

poesias que não são minhas

Essa insegurança de escrever e não ler e de escrever e não mostrar e de escrever e sair correndo. Eu, eu, eu. Mês passado li O Apanhador no Campo de Centeio, e é esse tipo de coisa que gosto de ler. Será que vou gostar de histórias da juventude, melancolia, segredos, aventuras, descobertas, crescer... pra sempre? Agora estou lendo Nove Histórias, do mesmo autor. É uma coisa diferente mas mesmo assim ele sabe muito bem como escrever pra mim. Em Nove Histórias preciso investigar toda a história para compreender o que se passou ali, e isso me prende. Depois de cada conto fico um tempo matutando e depois vou ler uma análise, teve um que li um artigo inteiro sobre. A verdade é que fazia tempo que não lia ficção literária, a universidade só trás coisas ou muito científicas ou muito conceituais e eu não sei como aguentaria essas 3 semanas de férias sozinhas sem todas essas histórias. 

Tive uma idéia para uma zine ou sei lá onde escrevo tudo pelo celular, lá as coisas tem sempre mais chance de sairem erradas porque as letras são pequenas e os dedos são do tamanho que os dedos devem ser, essas duas coisas não estão em equilibrio como os teclados de verdade. Não reviso, não reescrevo, não corrijo e junto tudo em uma coisa com imagens e depois de tudo pronto esta pronto. A proposta seria ver o que podemos ler dali, mesmo com coisas com letras trocadas e ou com palaras quase indecifravéis. Ver o português instrumental em prática. Os acontecimentos que inspiraram isso foram a troca de mensagens entre mim e minha prima, ela nunca se esforça para corrigir qualquer mensagem que envia pra mim e se eu não a conhecesse talvez nem saberia o que esta escrito, as coisas são naturalemente criptografadas. Com a minha mãe e parecido, mas mutuo, e não tão secreto. Depois ainda veio esse texto da Esteph onde ela é tão real que não muda nada e as letras embaralhas deixa tudo ainda mais próximo de nós, do que ela esta vivendo. 

Acompanho umas indicações de livros e poesias do Beavis and Bookhead e é sempre uma graça. O momento para para que eu leia com toda a calma até o último verso. Recentemente também descobri a zine digital Felisberta, que reune autores ainda vivos e escrevendo, em edições sazonais. Recomendo fortemente a leitura da última edição, de inverno, que trás poemas do Diego Elias, responsável pela Beavis and Bookhead. Salvei alguns poemas que conheci através desses dois lugares:

adília lopes entra

1.
adília lopes
liga pro cabeleireiro
da simone weil

2.
adília lopes
dança noise depois
fode

3.
adília lopes
na void
dizendo quero lá saber
que sejam inteligentes artistas sexy sei lá o quê

4.
adília lopes
sai do mar maiô e sal
cintilando

5.
adília lopes
por enquanto
diverte-se

Ana Luiza Rigueto 

Essa me lembra muito a letra da música Fátima Bernandes Experiência do Skylab. Mas também me faz pensar na faculdade e nas pessoas, em mim, e em quem é Adília Lopes? Um diário de acontecimentos do vídeo-filme. 

finesse & fissura

melindre da língua
fetiche do meu verso que aflora
minha finesse que finda
minha delicatesse que míngua
minha fissura que implora

Ledusha

 

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamnates mais límpidos
A paixão dos suiccidas que se matam sem explicação

Manuel Bandeira

 

e
ntro
no banho
para evitar
minhas lágrimas
afinal chorar no chu
veiro é chover no molhado
oooooooooooooooooooooo
ooooooooooooooooooo
oooooooooooooo

Giovana Bezerra

socorro

socorro fiona apple
tem um quarto sobrando aí
levei um pé na bunda homérico
e achei que você entenderia a situação
pedi demissão e com a grana
do seguro desemprego
comprei passagens pra cá
trouxe livros de poesia brasileira
posso traduzir pra ti
ana martins marques é a melhor
vem vou começar
the book of resemblances

Pedro Cassel

 

Além de tudo queria registrar aqui:

⭐ a importância das notas pela zine NOTAS 2 de Livia Deboni
⭐ muitos poemas e pensamentos interessantes de Piovepato
⭐ poesia colagem em Bricando com a boniteza da língua portuguesa pt.3 de Luiza Heuko (indico todas as partes!)
⭐ o inferninho de Brida Abajur
⭐ o desenho no ínicio, onde esbocei um mini poema que fiz para a Xis em umas cartas que trocamos. 

segredos por trás da zine agosto é um mês diabólico


Inspirado nas coisas que andava consumindo em agosto e setembro (mostra do cinema novo da Tchecoslováquia, e as coisas que só a Cinemateca Capitólio é capaz), referências que vivem me assombrando (eu adoro levar susto!), e a principal: a data de entrega do projeto final da aula de Laboratório de Fotografia I que tinha que ser meio livro, meio publicação... Fiz essa zine nuns dias de muitas inquietação, pensando muito nesse trecho do texto sobre a amostra de filmes: "cores pulsantes, lisergia e cinema novo, fresco".  Eu pensava muito sobre a Věra Chytilová, e mesmo assim ainda não vi as Pequenas Margaridas. 

PS: A zine foi meu trabalho final nessa aula durante o 3º semestre da faculdade de Bacharel em Artes Visuais, em 2022.

PARTE I

Os tiros e os desejos



Nessa aula vimos um pouco de fotográfica analógica, eu não sei muito sobre porque minhas câmeras são todas point n' shoot, não tem nenhuma função que não seja disparar ou voltar o filme. Também relevamos quase totalmente sozinhos. Toda a proposta do semestre girava em torno do monocromático, principalmente o preto e branco. Usei um filme Kentmere 100 e um Fomapan 400. 

Queria ter tido mais tempo para fotografar com toda a liberdade do mundo e com gente que não se incomodasse com os meus desejos. Mas eu mesma me incomodo porque fico achando que to sendo muito chata as vezes e acabo me inibindo. 

Essas fotos de cima acho que tirei no final de agosto ou ínicio de setembro, nelas a Júlia, que é minha amiga e também foi colega nessa aula, 1) imitou o leão de pedra do Recanto Oriental da Redenção e 2) fez parte da paisagem de concreto, fazendo o corpo se encaixar no Arco do Triunfo. Essas ideias de pose foram fortemente inspiradas pela Valie Export e por todas essas fotografas maneiras.



Essa foto da esquerda é um pouco do atrás das câmeras ao mesmo tempo que é um pelas câmeras sijdiofjdsij É uma das aulas de laborátorio de fotografia, um pouco antes de revelarmos esse mesmo filme. Já a foto da direita é uma das 2 fotos de 2021 que aparecem na zine, de tempos que não voltam mais, também é uma das poucas fotos que não foram tiradas por mim (por isso sou eu na foto!).


Meu grande amigo e colega Mateus que aparece meio misteriosamente, indecifrável em algumas das fotos. Essa foto ai eu tirei e em seguida, pelo que me lembro ele tirou desssa posição essa foto de baixo, a qual eu to fazendo de conta que to tirando outra foto da Júlia sdokdspofks. Esse momento todo de fazer as fotos eu não tinha nada na cabeça além de algumas lembranças e ideias que surgiam na hora por conta do ambiente.



PARTE II

Cores pulsantes, lisergia e cinema novo, fresco


Separei todo o material e o que eu mais gostava em cada coisa, veio também a ideia de usar a impressora jato de tinta, os papeis coloridos, lápis de cor. Experimentai scannear, mexer, pintar, scannear, escrever... Fiz mil testes e fui chegando em algo que considerava maneiro. 

Esse foi o primeirissimo teste de todos pelo que lembro, uma das minhas fotos favoritas: o namorado da Júlia, o Patricky, fez a pose que eu dirigi, até tirou os tênis e nem ligou que tava chuviscando e frio. Imprimi ela em papel rosa e rabisquei com aqueles lápis pretos de cor da Fabber-Castell. Super cinema novo!


Esse foi teste com impressão em papel rosa e sobreposição com marcador de texto azul, em seguida scannei em movimento para criar essa distorção, dei uma mexida nas cores e adicionei um pouco de ruído. Esses acabaram sendo só experimentação, não sairam na edição. 


  


Testes de impressão em papel branco e rosa. Até agora não me decidi sobre. O papel branco evidencia muito bem as cores mas o rosa é tão bonito! Pensei também sobre algumas edições serem mistas. 

Fui insegura e acabei com medo de fazer algo puramente de imagens, achei que não seria o sufiente para dizer tudo que estava pensando. Usei uma parte da música What Goes On do Velvet, porque eles estavam em alta na minha cabeça e sempre me uma nostalgia de ouvir qualquer som deles e uma vontade de dançar ou chorar. Selecionei alguns trechos de diário e algumas coisas que escrevi aqui no blog também e remetia a esses momentos agosto, setembro, férias de inverno, diversão, ingenuidade...

A capa é meu rosto amassado e scanneado e todas as letras foram feitas em grafite. O acabamento final da encadernação ficou sendo uma linha de costura vermelha pois não tinha grampos na hora e no fim ficou oficializado que seria assim e assim ficou o que deveria realmente ser. 

PARTE III

Depois de tudo

 
Sinopse: Recortes de diário e fotos de agosto com intervenções vibrantes, juventude e segredo. 

Minha professora disse que é bem pop art. Minha colega Luly disse que é muito jovem. A Amanda que me segue no Instagram e comprou disse que amou muito e que Agosto é o mês que ela nasceu. A Júlia adorou que apareceu em várias fotos escolhidas, ela também nasceu em Agosto. 

A zine esta disponível para leitura no Issuu, e também pode ser enviada para você em formato fisíco pelos correios, é só entrar em contato comigo por aqui ou em alguma rede social. O valor é R$ 10,00 mais o envio.

trago seu amor em 7 dias

 
Traz o amor amado. Reacende paixões em brasa. Cola corações partidos.

O primeiro sábado de março, dia 5. Chovia e eu indo encontrar Joana, minha amiga e colega de aula, na Casa de Cultura Mario Quintana. Ao mesmo tempo iamos encontrar o Juan (lê-se Ruan, ele é metade uruguaio) que é só amigo mas acho que em algum momento iremos ser colegas. Vimos as novas exposições por lá, e eu esperava mais da que era alguma coisa como fitas amarradas no ventilador. 

O texto dele foi publicado na Revista Fracasso - edição homens, e ia ter lançamento lá junto do ultimo dia da Papelera. Tinha palitos de queijo, cerveja e água para o lançamento. Eu e Joana compramos um zine em conjunto que se chama Clube nunca só para nós, porque ele estava com um super desconto e também eu preciso fazer um trabalho analisando alguma publicação de arte e essa é perfeita! Logo no início tem um questionário datilografado, como: "você ja teve um album de figurinhas? qual?", "já teve um amor de verão? qual a primera letra do nome del_? como foi?", "já fez algum feitiço?, "já fez ou gostaria de ter feito algo proibido? se sim, o que?", "como foi seu primeiro beijo?".... e foi o que mais me prendeu.

Domingo. Voltei para casa original, sempre acabo ficando super sozinha aqui e é bom e ruim e as vezes só um ou o outro. Dessa vez foi bom, depois de toda a inspiração no lançamento e exposições e folheagem em mil e um livros de artista reuni tudo e tive a ideia de chamar a Joana pra fazermos uma zine sobre amor, só da parte boa e infantil. A Joana é uma pessoa muito romântica e apaixonada, vou reescrever uns tweets dela aqui para provar isso e aproveitar uma de nossas pesquisas de material: 

meu deus tove lo eu realmente vou ser a primeira a morrer por amor

então quer dizer que dá para saber quando duas pessoas se beijaram..

como pode uma bitoca de quem a gente gosta curar tudinho

aos cinco namorados mandando mensagem de ano novo, calma calma! tem joana pra todos

vou desmaiar de tanto amor que eu tenho

o amor existe sim!! assistindo casamento às cegas japão

ganhei 2 beijos hoje to no lucro

Eu anseio por projetos coletivos e acho que esse vai ser concretizado porque nós duas estamos muito na pilha de fazer. Queremos lançar perto do dia dos namorados! Por enquanto estamos na etapa de pesquisa e arrecadação de material, entrevistamos alguns conhecidos com as perguntas do Clube nunca só para nós e agora estamos a procura de cartinhas, bilhetes, poeminhas e rabiscos que as pessoas tenham em casa e gostariam de compartilhar conosco para a publicação. Se tu quiser é só enviar através desse formulário aqui!

030: extrovertidos

zine king kong feita na oficina

Novembro esta sendo muito bom. É quase verão em absoluto. O Brasil ganhou. As férias ainda não acabaram e aquele trabalho de teoria que eu tava me matando pra escrever e tinha certeza que ia tirar o minimo, (certeza que a professora nem leu) foi o máximo. Esta tendo feira do livro aqui e fui em quase todos os dias porque quase todos os dias tem oficina. Já teve de quadrinhos com a Guti (que eu sou muito fã!), de serigrafia com a Amanda e de zine com a Ana e todas elas são demais!

Quarta-feira, no feriado, tinha a oficina de serigrafia e todos que falaram que iam ir comigo mudaram de ideia e eu sou muito patética e não queria ir sozinha de jeito nenhum. Num ato de desespero compartilhei o cartaz da oficina perguntando se alguém queria ir comigo. Na hora pensei que o pior que poderia acontecer seria ninguém responder, esqueci completamente que algum maluco poderia dizer "vamos!", felizmente nenhum maluco mandou nada mas algumas pessoas legais (que eu suspeitava serem legais, na verdade nunca tinha falado grandes coisas com nenhuma dela) toparam. 

Agora uma contextualização dos eventos que antecederam esse, da onde eu conhecia essas pessoas, mostrando como o mundo e a vida dão muitas voltas e encontros:

Era a primeira vez oficial que eu ia a Cinemateca Capitólio, porque era a primeira que assisti uma sessão completa, um dia de apresentação da cidade para uma visita especial. Era julho. Na saída do cinema encontrei Léo, um amigo, com mais uns outros guris que não conhecia e eles estavam indo para a festa de aniversário de um amigo de um deles num bar com karaokê ali perto, o Mondo Cane. A gente foi com eles até lá porque era caminho, mas não ficamos porque não conheciamos ninguém. Um dos amigos dos amigos que estava indo, o Vicente, perguntou o que achavamos que vinha primeiro: o corpo ou a alma. Eu disse alma e ele disse que também achava que era mas quase ninguém tinha falado ainda. Essa foi a conversa que tivemos.

A umas duas semanas atrás ele me convidou para participar de uma exposição de prints que estava organizando num bar-café aqui perto e claro que concordei porque sempre quis participar de algo assim. A exposição ia ser aberta junto com uma festa fantasia de Halloween que não consegui ir porque tive que voltar para Osório pra votar. E ele foi a primeira pessoa que disse vamos pro convite da oficina, a gente se encontrou no mesmo bar-café e conversamos sobre esses eventos e sobre fazer filmes, e ele estava fotografando de uma forma meio voyeur, como ele mesmo disse, os desocupados com bandeiras do país que lotavam o centro. 

filme: Velvet Goldmine (1998)

O segundo que pilhou ir foi o Gabriel. A gente se conheceu na internet mas não sei exatamente como, uma vez me mandou mensagem perguntando se os coelinhos eram meus e que adorava eles e volta e meia a gente trocava umas palavras muito rapidamente. Ele é da música e a primeira vez que o vi pessoalmente foi quando tava procurando algum conhecido para furar a fila do RU e a gente se deu oi e ele não perguntou se eu queria um furo, então tive que virar a esquina até o fim da fila. Talvez ele seja correto demais, pensei. Ele gosta de tirar fotos de lugares e explorar cantos escondidos e encontrou a gente na feira do livro. Nenhum de nós se conhecia e foi surpreendente divertido propor algo, estranhos toparem, conhecer gente nova e estar bem com tudo isso. 

No fim da oficina o Vicente foi embora e eu e o Gabriel estavamos sem nada pra fazer. Fomos no Café Cantante, onde uma amiga minha trabalha, mas ela voltou para Minas para passar as férias. Nunca tinha ido lá e estava super cheio. Tomamos moca. Passeamos pela redenção e conversamos um monte. A mãe dele era musicista, tocava piano e morreu quando ele era muito pequeno. Depois fomos encontrar a melhor amiga dele no Capitólio, ia passar o filme favorito dela,  Velvet Goldmine. Uma fanfic não autorizada do David Bowie com o Iggy Pop, um ode ao glam rock. Encerramos o dia jantando em um lugar de comida italiana que havia aberto a recem, não tinha nem nome ainda. Eles comeram massa e eu não comi nada porque estou economizando, então o chef (de cozinha e do lugar) me deu uma porção de batatas rústicas, que ele disse que não eram rústicas era outro nome que não lembro mais. O dia foi ótimo, fiquei ate contente que as outras pessoas que convidei cancelaram. 

Depois, quando já tinha até acabado a oficina vi que mais gente queria ter ido. É muito bom achar pessoas que se empolguem com as mesmas coisas que tu, se essas pessoas fossem tão faceis de encontrar como foi. Isso sempre me lembra o fim de Vírus Tropical. 

filme: Velvet Goldmine (1998)

Sexta-feira um amigo que a muitas semanas não nos viamos me chamou para ir a um sarau num café, com o Ernesto, que é bem legal e gente boa mas diz que tem dificuldade pra sair. No ínicio os textos e poemas pareciam escritos por meninas góticas de 13 anos, o que foi bom pra rire e inspirar a coragem de se expor. Depois foi uma mulher que tinha um sotaque que eu não conseguia distinguir se era esapanhol, italiano ou algo meio colonial, como os tios velhos e falsos imigrantes da minha mãe falam. Era bonito, e fez eu me perder tanto que nem lembro exatamente sobre o que era a poesia. O penultimo que leram eu adorei tanto que pedi a menina que me mandasse e vou deixar aqui. O último também queria ter pedido mas não vi mais a autora, era um texto cômico de teatro sobre uma judia explicando o porquê gostava de apanhar. 


Ladrar ou morder
de Marina Luz

Morder dói os dentes. Não sou uma mulher de muitas fúrias. Raiva me estressa. Afinal, raiva é para ser estressante. É uma parte intrínseca dela. Não há raiva sem o estresse. Assim como não há alegria sem os sorrisos e a morte sem o nada.

Meu corpo não aceita a raiva, não se acostumou a ela. Quando considero a possibilidade de quebrar algum objeto ou alguém, me desgasto a tal ponto que adoeço. Cistite, tendinite, gripe, enjoo, pé torcido, unha encravada, dor. Nem sei onde machuca, mas algum lugar vai estar doendo.

Mesmo que a enfermidade não venha, alguma coisa em meu corpo me assombra. Uma semana estressada me deixa um mês atrasada na menstruação. Aí me estresso de novo por considerar comprar um teste de gravidez e fico mais um mês atrasada. Porque eu tenho vinte anos, não posso ter um filho. Sou muito jovem. Nem sei quanto custa um aborto. Para quem eu perguntaria se eu quisesse abortar, para quem eu falaria se eu não quisesse abortar. Gravidez está fora de questão, meus peitos cairiam e eles já são pequenos. Pequenos e caídos é algo inaceitável. Ser uma mãe de vinte anos com peitos pequenos e caídos é inaceitável. Daí chego na farmácia e não encontro o teste. Finjo que sou madura, que não tenho vergonha de nada e pergunto para a farmacêutica se eles têm teste de gravidade. Mas teste de gravidade não existe e eu acabo de expor para a farmacêutica que eu, sim, estou tão apavorada que não sei falar e que, sim, não quero que tenha uma criança crescendo na minha barriga. Pergunto de novo. Gravidez, desculpa, onde ficam os testes de gravidez. Vou para casa, me enfio no banheiro e o teste dá negativo. Mas depois de todo esse nervosismo tenho que esperar mais um mês para a menstruação descer.

Depois de tanto tempo acumulando sangue no útero, a cólica é um inferno. Faz da minha barriga pano para esfregar o chão e, depois de ensopá-lo todo, torce e contorce ele até a última gota. Tomo três Ponstan, me enfio debaixo da cama, abraço uma bolsa de água quente e xingo a razão para eu ter me estressado em primeiro lugar.

O corpo implora para eu não ter raiva, para eu não me estressar. E faço tudo o que posso para acatar seu pedido. Porque ele me conhece brava, nós dois sabemos que é melhor evitar isso. Tem razões para eu adoecer depois de crises, eu não lido bem com elas.

E nem é porque eu viro um monstro. "Você não quer ver ela brava", essa não sou eu. É interno. É comigo. Se eu ficasse puta, destruísse um prédio e isso fosse o suficiente para me desestressar, seria perfeito. Mas a raiva não anda sozinha. Ela se gruda na impotência. Fico brava quando não há nada a ser feito e quando não há nada a ser feito, fico mais brava. O ciclo é infinito.

Desde minha infância me enraiveci dessa forma. Dizem que se deve deixar um bebê chorando para aprender a parar sozinho. Eu não parava. Ficava horas me esperneando e cansando até não ter voz para gritar. Meus pais tinham que levantar e me pegar no colo uma hora ou outra.
 
Quando criança, só fiz birra uma vez. Daquelas de me jogar no chão em público e fazer a mãe passar vergonha. Ela me colocou debaixo do braço e me tirou do shopping, nem aí para minha tentativa de chamar atenção. Parei, nunca mais fiz. Mas lembro ainda da raiva que me fazia berrar em meu quarto, os soluços e a dor de cabeça que vinham logo depois. Lembro que a raiva era algo que entupia os ouvidos. A pele me deixava claustrofóbica e me vinha uma necessidade de destruir algo. Como se isso fosse minha forma de me livrar da epiderme e me ver livre, poder respirar. Mas criança é fraca, não destrói nada com facilidade. E minha braveza não me deixava burra, sabia que se eu quebrasse algo levaria bronca. Eu queria cessar minha raiva, não incentivar a de minha mãe.

Então vem a necessidade de quebrar, mas não poder. A impotência vem e aperta a garganta. Pego um travesseiro e começo a socá-lo. Não adianta. Travesseiro não morre, não rasga. Bato ele contra o chão, o arremesso contra a parede. Passo a ofegar, meus braços cansam. Estou perdendo para um travesseiro. Sou uma estúpida, ridícula e o mundo é horrível e eu só quero me encolher no chão e gritar até tudo passar. Que ódio, que saco, que droga.

Tem um filme infantil chamado Anastasia. Sobre uma princesa perdida da Rússia que perde a memória. Dois homens não sabem que ela é a princesa de verdade, mas querem fingir que ela é para ganhar o dinheiro da recompensa que a avó da moça ofereceu para encontrá-la. No dia em que Anastasia ia finalmente tentar se provar como a verdadeira princesa, ela está muito nervosa. A levam para uma ópera, em que passa o espetáculo todo com o folheto na mão o rasgando em pedacinhos.
É um momento curto do filme. Apenas para mostrar que Anastasia está ansiosa para que o boyzinho dela segure sua mão e a acalme. Mas eu vi como um mecanismo. Afinal, eu sou mais forte que um pedaço de papel. É barato, substituível e não faz falta. Rasga fácil, que é o mais importante. Formando duas pinças com meus indicadores e polegares e puxando o papel para lados opostos, o papel se divide em dois. Depois em três. Quatro, cinco. Devagar, rasgo aos poucos, destruo com cuidado, sentindo o estrago. Há um controle, eu controlo. O mundo pode ser mais forte que eu, mas o papel é fraco. Dele, eu venço.

Até os dias de hoje uso essa técnica. Levanto de onde estou, vou ao banheiro, pego uma folha de papel daquelas para secar a mão e rasgo em tiras. Bem finas. Até minhas narinas voltarem a funcionar e eu conseguir inspirar e expirar sem querer me arremessar pela janela. Até eu me encaixar em minha pele e meus ombros conseguirem sua locomoção de volta.

Meus problemas não vão embora, mas minha cabeça também não fica presa em um único pensamento.
Ela se amplia, respira e relaxa. Não que relaxar seja a ação mais saudável a se tomar.

Mas se eu não decidir se quero estar relaxada ou furiosa, nunca vou me satisfazer. Tenho consciência de que, pelo jeito que raciocino, nada estará bom. Mas tanto quanto há lógica em buscar tranquilidade, também há na busca da inquietude (infelizmente). Porque se eu estivesse brava, estaria por uma razão. O estresse ocorre exatamente para incentivar a resolução das mazelas. Ignorá-lo ao contornar o problema através de técnicas meditativas poderia ser visto como uma escapatória fácil. A alternativa de um covarde. Porque seria afirmar que eu recuso lutar contra o mundo por medo. E que prefiro que meu adversário seja o papel, um fracote que nunca me fez mal.

Mas tenho medo, não é mentira. Apavorada de ter uma criança em minha barriga, de ter peitos pequenos e caídos, de passar vergonha na frente da farmacêutica, eu tenho medo da raiva. Tanto que fujo dela através de enfermidades e menstruações que atrasam. Tanto que prefiro não gritar com alguém que me fez mal e cortar contato sem oferecer justificativa. Tanto que nunca mais fiz birra em shopping.

022: agulha, tesoura e impressora

Em algum mês entre o meio e o fim do ano passado eu comprei uma máquina de tattoo. Nos dias seguintes vi vários vídeos sobre isso, risquei em EVA, banana, laranja e até espetei meu dedo sem querer. Depois dei um tempo disso. Um tempo beeem longo que tinha como desculpa muitas balelinhas que eu contava pra mim mesma. Tive um pesadelo onde fazia uma tatuagem sei lá do que contra a minha vontade e depois ficava chorando e tentando arrancar minha pele. Já não tinha vontade de ter algo pra sempre no meu corpo mas agora é totalmente negativo. Fiquei de ir pra Porto Alegre e aprender umas coisas com um amigo do meu primo mas não rolou e a poucos dias descobri uma tatuadora daqui que ensina e tudo e parece ser legal. Ela acabou de ensinar pra uma amiga minha que nem sabia que desenhava, nem sei se desenha na real. E vou ter minha primeira aula amanhã, quarta-feira. Mas essa tutoria não é de graça então to juntando todos os meus dinheiros pra ter desconto, e porque não gosto de gastar minhas economias pra quando tiver que me mudar ou algo assim, sei lá. Por sorte já deve fazer umas três semanas que estou formanto uns relatórios e trabalhos de conclusão de curso de uma turma de pedagogia e ajudando minha mãe numas coisas exporadicas, então acho que vou conseguir ter grande parte até lá (amanhã!). 

E isso é um dos porquês de eu estar tão atarefada e de saco cheio. Tou meio deslocada. Minhas aulas começam em menos de um mês e tudo mundo do curso parece super legal e talentoso, tem ate mais um menino aqui da minha cidade que vai ser meu colega e nem tinha ideia.

Ontem participei da oficina A zine mais fácil do mundo ministrada pela Cuqui e foi muuuuito legal. Tava super ansiosa pra participar de todas as oficinas da Poça desde o primeiro anuncio sobre elas e quando abriu as inscrições esgotou tudo em menos de 24h!!! Consegui me inscrever em duas de últimissima hora por causa de uns cancelamentos nessa de zine e noutra de bordado que é sexta. Na oficina a Cuqui deu vários exercicios bem divertidos e experimentais pra fazer em cada página, um era de tirar um printscreen analógico e podia ser como quisesse como em todas as propostas, mas o exemplo dela era genial então segui os passos dela. 

O lance era pegar um telefone, tablet, câmera... qualquer coisa capaz de fotografar e com uma tela, colocar a tela virado pro scanner e tirar uma foto usando o scanner atravês da lente do equipamento que tava lá. Será que deu pra entender? Aqui o meu experimento.


OBS: a primeira imagem é a zine que fiz na oficina! A ideia delas é juntar todas as produções numa documento unico depois. Outra hora acho que vou editar melhor e postar lá no issuu. A Cuqui e a Rafa, que é organizora da Poça, são autoras de várias zines que mostrei no outro dia aqui.

Porque o tempo não para, a pouco fiquei com vontade de fazer papeizinhos de cartas e de anotações pra enviar nas próximas cartinhas que escrever. Mandar e receber cartas é especial. Fiz tudo correndo e de teste então não ficou a melhor coisa. Se quiser dá pra baixar elas clicando em cima de cada uma.


Super cansada mas mesmo assim queria registrar tudo isso. Durante os próximos dias pretendo matar a saudade de tooodos os blogs que não consegui ver esses últimos dias. 

021: muitas listas de inverno

filme: Nunca Fui Santa (1999)

Nunca senti tanto frio como esse ano, não sei se sou eu, se realmente esta bem mais frio que o normal ou em relação ao último inverno. Na maior parte do tempo não tenho vontade de fazer nada e fico fantasiando coisas para fazer quando não estiver mais com as mãos dormentes. Esse fim de semana retomei a assistir filmes, fico oscilando entre semanas de vazio e semanas de ate dois filmes por dia. Mas é meio difícil assistir qualquer coisa que não seja na TV.

O que assisti nesses últimos meses (mais ou menos do antigo pro mais recente e excluindo os filmes de terror que vou guardar pro dia das bruxas soidkask):

⭐ Nunca fui santa: anos 90, comédia, a líder de torcida é mandada para um tratamento de cura quando seus pais começam a desconfiar que ela pode ser homossexual.

⭐ Quase famosos: queria ver esse filme a muuuuuito tempo! Ele super combinou com o livro que tava lendo na epoca Do que é feita uma garota da Caitlin Moran, porém esperava mais.

⭐ Queridinhas: duas garotas de mundos opostos participam de uma aposta para quem vai perder a virgindade primeiro no acampamento.

⭐ Maus momentos no Hotel Royale: Pedro que me recomendou!  Thriller era tudo que assisti nesses dias daqui, porem os outros vão pra outra lista. Muuito bom, me lembrou Tarantino mas muito melhor!

⭐ O homem que copiava: Coming of age Brasil. Por que ninguém fala desse filme? Por que niunguém fala dos filmes sobre os jovens brasileiros?? Um dos meus filmes favoritos!

⭐ O diário de uma virgem: essa atriz, a namorada do vocalista do Sex Bob-Omb, é muuuito engraçada aaaa achei por acaso no Netflix. 

⭐ Funny ha ha: queria assistir desde que descobri o mumblecore, e ali estava ele no Festival Mumblecore Ou Como Fazer Um Filme Em Casa do Lookie. Gostei de algumas coisas mas ainda não estou habituada a esse tipo de narrativa.

⭐ Admiração mútua: também do Festival Mumblecore! Esse gostei mais, já estava intendendo como as coisas rolavam ou a trama era mais a minha mesmo. Vários atores se repetem nos dois filmes. 

⭐ Thelma & Louise: recomendação do Vitor. Muuuito bom!! Não tinha ideia do que se tratava até ver e nunca tinha nem ouvido falar sobre. Sem nenhum sentido esse filme (pra mim) combina muito com um domingo de chuva.

⭐ Tudo que quero: vi passando na Sessão da Tarde e o que me chamou a atenção foi a Dakota Fanning, e ai pesquisei e descobri que era um coming of age com road trip onde a personagem principal tem autismo e quer se inscrever num concurso de roteiro do Star Trek. Onde eles escondem esses filmes? 

⭐ Sol Alegria: vi com meus amigos pra celebrar esse mês! Que filme loko!! Não entendi grande parte (nada!) mas adorei como ele é teatral é bem estilizado e muito criativo. 

⭐ Luca: fofo e italiano e amizade e identidade pra saber mais recomendo essa fala do Victor! Vaza Bruno!!

⭐ Trainspotting: esse eu revi porque só lembrava do inicio, talvez até o meio e eu gosto desse filme, como ele acontece, a montagem, a fotografia, a história, as músicas, os personagens, a verdade nua e crua. 

⭐ T2: em seguida tinha que ter o 2 que ainda não tinha visto. O primeiro é com certeza o melhor, esse é meio forçado o jeito que eles montam, as cores me incomodaram um pouco e o tom de videoclipe sei lá. Parec aqueles filmes de négocios onde tudo é vidros e azul. 


Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. Eu odeio ter rinite. 

É dificil acreditar que tem pessoas que não ficam com o nariz entupido e cara de doente por qualquer coisa.



                                                                                          Indicação de zines e quadrinhos curtos:

⭐ A distância que se faz lenta entre os corpos por Larissa Fonseca

⭐ Fantasmas por Larissa Fonseca

⭐ Início do dia por Inácio Rafaela

⭐ De ontem pra hoje por Inácio Rafaela

⭐ Diário de bordo rs-rn por Camila Cuqui

⭐ dia-a-dia por Arantxa

⭐ Sem nome por Tchau Gi

⭐ Tirinha do José Roberto

⭐ Segundo beijo por Treze

⭐ Pra não esquecer dos horizontes por Carol Ito


Tenho mil projetos legais e coisas pra fazer e não consigo fazer nada. A única coisa que me anima é fazer coisas com outras pessoas junto, mas junto mesmo, ao mesmo tempo real sincrono e paralelo. As coisas ao meu redor parecem parafusar minha cabeça. Com certeza a culpa de tudo é essa falta de solidão absoluta nos meus papéis. Falta de privacidade. Falta de ar. 

Coisas pra fazer de uma vez: 

arte por Alison Zai
⭐ Quadrinho sobre sonho

⭐ Quadrinho com o Samuca

⭐ Zine de com artistas da cidade

⭐ Zinezum #1

⭐ Vídeo da propaganda do Pedro

⭐ Vídeo da manifestação

⭐ Prints (?)

⭐ Organizar meus livros

⭐ Enviar os desenhos que faltam pra Lari

⭐ Fotos: de se encaixar na cidade, de editorial de moda, de maquiagem, de natureza selvagem,  de filmes que não existem, durante um dia inteiro...

⭐ Desafio de registros (também da Lari)

⭐ Mais um documentário sobre alguma coisa bem hmmmmmm

apareci na i wanna be yr grrrl



PRÓLOGO
1° de janeiro de 2020, eu estava maravilhada com a quantidade de zines incríveis que tava encontrando no Issuu. Não sei se descubro mesmo ou só redescubro as mesmas todas as vezes na verdade. Não sei alguém lembra disso mas já tinha mencionado a I Wanna Be Yr Grrrl lá no guia de zines, em junho, tava na quinta edição. Li as edições de novo no inicio do ano e fiquei fascinada de novo, vi que a autora tinha aberto uma chamada pela página no Facebook para enviar contribuições para a próxima edição e enviei um email com umas coisas que tinha pronta, até meio nada a ver. 

O VÍDEO
4 de abril de 2020, hoje mesmo, entediada e cansada de mim mesma lembrei do canal no Youtube da Seth (que também já falei por aqui, incrível como tudo se conecta!). Ela não tem uma regularidade, as vezes até esqueço de lá e pensei que poderia ter algo novo. Tinha mesmo, dois vídeos, o primeiro que vi era a entrevista com a Puipo e a Flavushh, duas artistas que gosto e acompanho também. Perfeito! Elas falaram de como começaram nesse mundo de zines, quadrinhos e tudo mais e mencionaram o grupo do Facebook, ZINE XXX. 

O GRUPO
Lembrei que também tava nesse grupo e depois de ver a entrevista dei uma olhada lá. Todo abandonado como o próprio Facebook, o que é uma pena porque esses grupos eram muito interessantes. Rolei os posts procurando alguma coisa massa e encontrei: "Zines que li em 2019", uma lista de... tananananã... Larissa Oliveira!!! Isso não fez muito sentido pra mim de primeira.

A LISTA
Uma seleção ótima, conheci várias zines e links muito legais e ainda descobri um pouco mais sobre a Tobi Vail. Uma parte falava sobre o zine da própria Larissa, fui ver e era o I Wanna Be Yr Grrrl, sexta edição. Folheei o zine e na primeiríssima página, no sumário, tinha um desenho meu!!! Fiquei muuuito feliz mais confusa de como tinha ido parar lá. Nesse tempo lembrei que já conheci o projeto e recordei de quando tinha enviado o email (que encontrei alguns minutos depois) para ela. 

Não tinha ideia de que um dos meus desenhos tinha mesmo sido escolhido, ela nunca me retornou nem nada e se não fosse tudo isso talvez nunca tivesse descoberto que fiz uma pequena contribuição pra uma zine tão maneira. Achei incrível como tudo estava interligado, e nem tinha falado ainda sobre como tenho um amigo (que conheci por acaso ano passado), que faz parte de um coletivo com a Seth.

vamos fazer um zineeeeee??

filme: Shirkers
Desde que descobri o incrível mundo da arte independente: diários, feiras gráficas, animações de 15 segundos, listas de músicas, letras de jornal, fotografia estourada. A emoção do coração em forma física. Listo que quero fazer isso e aquilo, mas a verdade é que não tem graça fazer e não mostrar ou dizer pros outros fazerem também, e esse é meu manual definitivo de como fazer um zine (pra todo mundo fazer e espalhar ideias e artes por ai).


O QUE É?

“Um fanzine é uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas de uma cultura particular fenômeno para o prazer de outros que compartilham seu interesse.” 
Wikipédia


“Imagina publicar um material seu, de texto, foto, desenho, do jeito que você quiser, falando nada mais nada menos do que… TUDO O QUE VOCÊ QUISER? Isso é um zine. Explico: zine é um livretinho básico, independente e, muitas vezes, com aquele jeitão de xerocado.”

Helena Zelie, coordenadora de literatura da Capitolina

Planet Sunshine : PhotoOBJETIVO: espalhar a palavra, sem censura

DESDE QUANDO?



As publicações de fãs começaram a surgir no século XIX nos EUA com a formação do Amateur Press Associations, que publicava coleções de histórias e poesias de escritores amadores. H. P. Lovecraft era membro.

Penny dreadfuls: popular no Reino Unido no século 19 era um livro barato, curto e com ilustrações que contavam histórias de crimes, assassinatos, torturas… .

Folhetins: surgiu no início do século XIX na França junto da imprensa, era um narrativa de prosa de ficção e romance geralmente publicada em capítulos sequenciais em periódicos como jornais ou revistas. Se aproximava bastante do realismo e sempre tinha como objetivo prender o leitor.

A partir de 1900 no Reino Unido começam a surgir as revistas pulp de ficção científica. O nome é por causa da polpa de celulose, material barato parecido com o papel de jornal utilizado para confeccionar as publicações. Com esse estilo surgiu também a troca de publicações entre os leitores através do correio, que possibilitou uma maior divulgação das obras. Em 1940 recebeu o título de fanzine que acaba virando apenas zine com os movimentos de contracultura.

1960 - 1970: foi utilizado em movimentos de contracultura principalmente nos EUA e na Inglaterra. Era uma forma de comunicação, resistência e expressão, em uma época autoritária. Os punkzines, falavam principalmente sobre música, literatura e críticas sociais.

1990: o movimento Riot Grrrl começou a aderir ao uso de zines como meio de comunicação. Essas publicações falavam sobre feminismo (promovendo opiniões contra o sexismo e compartilhando experiências pessoais relacionadas à violência contra a mulher), política e cultura punk.

PS: todo esse material foi pesquisado e escrito por mim mesma para fins pessoais, e complementado durante uma pesquisa para um trabalho de inglês ou qual fiz sobre esse assunto. Se quiser pode ver a apresentação desenvolvida para o trabalho aqui!

COMO EU FAÇO

Faço o tipo mais tosco e simples de zine possível, mas pretendo aperfeiçoar minhas habilidades para, quem sabe um dia costurar minhas próprias publicações. Utilizo uma técnica de dobradura que possibilita fazer 8 páginas contando com capa e contracapa. Depois escaneio, limpo e ajusto no PhotoShop e imprimo para dar pros meus amigos ou deixar por ai nos livros da biblioteca ou nos murais da escola. Com a versão digital ainda, organizo em formato PDF e disponibilizo no Issuu para que qualquer um possa ler c: 

LINKS UTEIS

Como fazer e história
O Guia Definitivo da Zine