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pensamentos intrusivos

eu quero que me dê espaço, que me dê atenção, que me dê beijinhos na bochecha, com carinho e cuidado, que me questione, me pergunte, me ouça com atenção, e anote todos os compromissos que eu falar, que faça comida chique, que coma salada e descasque frutas para mim, que goste de correr, que me chame pra sair, pra ir a sessão da meia noite, pro teatro, que não tenha problema com gastos, que conheça tantas músicas quanto eu, que saiba cantar e tocar e dirigir, que me busque a noite na aula, na rodoviária, que goste de tomar banho e não tenha mau hálito, que não fume, que não tenha asma, que não seja alcoólatra, que saiba como me presentear, que me faça cafuné até dormir, que não goste de filmes de guerra, e faça trilhas e saiba andar de bicicleta, que tenha irmãos ou irmãs, que estude e ame algo além de mim, que seja simpático, que veja filmes sem dormir, e me faça rir, e me faça cócegas e tenha cócegas, que me tire o ar, que me amarre os cadarços sem apertar, e chegue antes de mim sempre, e seja cuidadoso e goste de gatos, que seja gentil, tenha boas histórias de infância, goste de tirar fotos e de vez em quando escreva, que me deixe bilhetes e cartas e provas de amor, que esconda coisas e esqueça onde, que não tenha insônia, não ronque, saia e volte, e compreenda quando estou triste e me abrace, com calma e acalanto, que me cante docilmente e diga que tudo é agora. e seja organizado e faça surpresas, que acorde cedo e tenha muitos sonhos a noite, que saiba de plantas e beba chá, que beije suavemente meus lábios antes de qualquer coisa.


um guia para iniciantes sobre acordar e o que vem depois

não encontrei o artista

1º passo:  Acorde. O primeiro pensamento do dia pode definir o tom dos próximos acontecimentos, aproveite o tempo do despertar e utilize os próximos minutos para pensar profundamente sobre o que anda pensando. Caso  acorde de um pesadelo ou de um sonho muito muito bom anote.

2º passo: Espreguiça. Alonga. Estique-se o máximo que puder quantas vezes for preciso para se sentir bem. Alongue pescoço e ombros. 

3º passo: Troque de roupa, se quiser. Escove os dentes e coma algo de café da manhã ou coma algo de café da manhã primeiro, coloque uma música. Esse passo pode ser adaptado para a ordem que preferir. 

4° passo: Se for possível volte para cama, leia um livro, revista ou cartinha do seu admirador secreto ou assista um filme. É muito bom acordar antes do sol nascer e acompanhar ele vindo enquando está vendo um filme. Na verdade fazer qualquer coisa antes do sol aparecer é uma sensação incrível. 


não pesquiso meu nome na frente dos amigos

desenho que meu namorado fez de nós dois quando nos fantasiamos de palhaço

Tenho vergonha de pesquisar meu nome no google na frente de qualquer pessoa que conheço porque tenho medo de aparecer algo sobre isso e descobrirem que escrevo e lerem o que escrevo e isso marcar pra sempre o inicio do meu sofrimento e desaparecimento absoluto. Adoro escrever aqui, mas sinto que seria julgada e todas essas coisas ruins se outras pessoas que não escrevem descobrissem esse segredo.


Não muito tempo atrás meu namorado viu sem querer o blog aberto no meu computador e eu passei mal. Não é certo, acho, ter mantido isso assim, mas não sei. É pessoal e um diário, mas é aberto a qualquer um com acesso a internet então porque ele não poderia ver? Sou muito insegura com minha palavras quando se trata de pessoas com quem convivo e vejo, e tenho esse sentimento de que não seria intendida. Nós resolvemos isso e eu pedi pra que ele não olhe nunca mais e ele prometeu que sim, mas antes disso falou que tinha lido um pouco e que tinha adorado e que era muito eu, que sempre me apoiaria em um projeto. Fiquei muito feliz, mas também estava envergonhada e queria nunca ter escrito nada e queria sumir e morrer. 

Se pesquisar Gabriela Bittencourt 
⭐ Minha foto de perfil do Filmow
⭐ Uma foto do LookBook (péssimo! nem lembrava que isso existia)
⭐ Uma animação muuuuuito malfeita 
⭐ O zine smking to dth

Se pesquisar InvisibleGabes
⭐ Perfis e fotos de perfil de tudo que é lugar
⭐ Desenhos meus e do meu namorado
⭐ Imagens que salvei do Pinterest
⭐ Algo sobre Invisible Games que não sei o que é soakdo

o melhor sanduíche do mundo

série: Steven Universo

pelo visto isso é um meme e não sei de onde veioO sanduíche surgiu com o pedido do lorde inglês John Montagu (1817 - 1792), que mesmo faminto não queria largar as cartas de jogo e ordenou que preparassem uma coisa simples e rápida. O primeiro sanduíche era apenas pão e um pedaço de presunto, e virou o prato principal de todas as jantas do lorde. 

Eu gosto de sanduíches assim: 
Primeiro precisa de dois pães de sanduíche levemente tostados, com isso coloco queijo quark (também chamado kashmir), queijo fatiado e junto as duas fatias. Tosto mais os pães até o queijo derreter. Abro e coloco alface e tomate picado. Prefiro alface americana. 

Mas gosto da maioria dos tipos de sanduíche também, menos com presunto e atum.

o que fazer um pouco antes de morrer

ilustração de Xingye Jin
Antes do fim, tem essas coisas que eu faria somente um pouco antes da morte. Pularia de um lugar extremamente alto, porque tenho essa curiosidade de saber como é a sensação de estar caindo. Dessa forma, no momento em que tocasse o chão, seria o instante exato em que morreria. Entretanto não gostaria de sofrer antes da morte, acredito que não há como cair assim e não penar. 

Seria a semana da minha morte, faria tudo que sempre quis e faltava coragem. Faltaria a escola, fugiria de casa, não entregaria nenhum trabalho, não daria comida ao gato. Pegaria todas as minhas economias, e como não são tantas conseguiria no máximo uma passagem de ônibus para a capital (que sorte morar perto!), dormiria na casa de alguém ou qualquer lugar que não me desse medo. Iria aos museus, lojinhas, parques, feiras, pintaria, desenharia, picharia, experimentaria de tudo. Registraria, "Os meus últimos dias de vida - vol. único" gravaria em um cd, escreveria um poema e colocaria nos correios. Correria pelas ruas, sem olhar pros lados, caminharia por ai de olhos fechados e pularia nas poças de água, nas fontes da rua. Seria tudo mais bonito, e teria as músicas certas tocando no fundo. E no último dia, quando morresse, seria um sonho pra sempre. 

17/05/2018

 ilustração de Cristina Daura
8:00 - Acordei e estava muito frio. Soneca dormiu na comoda em cima do toca discos e o Gato (agora o nome dele é Pierrot) em meus pés.
8:30 - Troquei de roupa e me arrumei, tomei uma caneca de Nescau como café da manhã.
8:40 - Escola! Fui a escola mais cedo por causa dos estudos orientados de química.
8:50 - Fui ao Laboratório de Letras organizar a camiseta do Grêmio Estudantil com a Leticia
8:55 - Esperei a Letícia terminar os slides do trabalho de física, o que me fez questionar se esses slides eram realmente necessários e porque o meu grupo não tinha feito.

9:15 - Criei um documento para a apresentação do PowerPoint e compartilhei com todo mundo. Letícia e eu baixamos os arquivos e organizamos os itens na camiseta do Grêmio.
9:30 - Procurei a professora de matemática para descobrir minha média. É nove.
9:40 - Voltei ao Laboratório de Letras  para estudar química com Letícia. Outras meninas chegaram para desenhar, desenhei um pouco e Iris me ajudou com as atividades de química.

10:40 - Saímos para o estudo orientado. O professor sumiu!
11:20 - Encontramos ele e a prova foi adiada. Não fiquei para resolver os exercícios, fui almoçar com a Iris.
11:40 - As meninas vieram almoçar quando tínhamos acabado. Iris assistiu Choque de Cultura pela primeira vez. Encontrei Antonio e Leonardo sentados na mesa de trás.

12:00 - Fiz teste vocal. Sou mezzo! Ajudei a levar o suporte do teclado ate o auditório.
12:15 - Coral! Começamos a ensaiar como um espetáculo completo.
13:30 - Aula de física. Convencemos a professora de mudar a data da prova, o que demorou um pouco. Apresentação de trabalhos e ideias para um projeto de estação meteorológica.

15:20 - A professora de educação física está numa viagem de campeonatos da escola. Respondi as atividades que ela deixou bem rápido e sai.
15:40 - Conversei com meus colegas no bloco de convivência. Encontrei o Antonio novamente, assistimos o teste vocal da Letícia e da Fernanda. Liuliulivrooo!

16:15 - Antonio e eu fomos na oficina de filosofia nos quadrinhos na biblioteca.
17:15 - Aula de filosofia. 
18:10 - Minha mãe foi me buscar, demos carona pra Sabine
18:20 - Comi um pão com requeijão. Naveguei nas interwebs. Estou me sentindo inquieta.

As vezes  lembro que quero fazer isso, normalmente é quando muitas partes do dia já aconteceram e eu já nem lembro de tudo em ordem. Anotei desengonçadamente algumas dessas coisas ao meio dia em um caderno e escrevi tudo aqui na última hora listada. Não lembro o que aconteceu depois, pensei em descartar mas fiquei com pena. Não está como queria que estivesse, era pra ser mais detalhado e estar na forma de quadrinhos, quem sabe um dia.

sessão da tarde

última folha do caderno que eu usava para estudar na casa da minha avó
A casa da minha avó sempre foi um bom lugar. Bonita não era, mas foram tantas as aventuras que vivi lá. Cinco ou seis anos, desde que nasci. Desenhos perdidos em cadernos com contas de meu avó. Eu nunca entendia o porquê de tantos números. Filmes da sessão da tarde, a maioria eu via, sentada no sofá preto com uma estampa nada a ver de símbolos brancos. Gostava de ajudar a amassar o pão, esperar ansiosa pra comer quentinho com alguma coisa, sempre cortado em vários quadradinhos. Horas não tinha pão caseiro, comia pão d'água com nata junto do café com leite. Imaginar que hoje nem gosto de café, mas esse nunca recusaria. Já quando chovia, em volta da casa, perto do muro, enchia de poças d´água, pequenos rios, os quais despachava muitos barcos-folha. Lembro de muitos vestidos, feitos por minha avó, todos tinham uma fita pra amarrar atrás e a saia esvoaçava ao girar. 

Mole, o dálmata, é o primeiro animal que lembro deles. Não parava quieto, e fugia sempre que o portão ficava aberto. O tempo depois que ele fugiu pra sempre, o que me entristeceu demais, foi curto até a adoção de Sheila, uma rottweiler antipática que sempre era presa em minha presença. Por último teve a Mel, uma mistura da cor de mel, a unica que conheci desde pequenina. 

Queria ir para a Terra do Nunca. Relembrar todas essas coisas me dói. Sempre passei esses dias, principalmente tardes, praticamente sozinha. Tortura-me saber que nunca mais vai ser assim. Uns dias a pouco, fui com meu pai mostrar a casa a prováveis inquilinos. Vovó mora a umas casas para o lado. Xodó dela, minha prima de seis anos, que a cuida mais que o contrário. Zelo e brinco nos dias que as visito. 


PS:  Escrevi esse texto na semana passada-passada e notei que mais gente escreveu sobre histórias da infância. Gostei muito de todas as histórias e vou deixa-las salvas aqui: twenty-one out of three thousand two-eighteen, escrito pela Viviane e Qual profissão eu vou seguir?, escrito pela Geórgia 

como complicar (quase) tudo

⭐ Questione tudo que for possível questionar a respeito do que irá fazer
⭐ Porque fazer hoje o que dá pra fazer amanhã?
⭐ Ingenuamente esqueça as coisas importantes
⭐ Use o computador e o celular como se realmente tivesse tempo para desperdiçar
⭐ Seja tímida e introvertida (sempre)
⭐ Aja inconscientemente de maneira imprópria
⭐ Ao invés de acabar com os problemas, ignore-os
⭐ Segredos são as melhores coisas a se guardar
⭐ Conte com os outros
⭐ Se odeie
⭐ Esqueça o dia de entregar o livro na biblioteca
⭐ Mude tanto de opinião até não ter mais uma
⭐ Tenha vergonha de perguntar
⭐ Não de atenção as coisas importantes
⭐ Não chore quando estiver triste

natal

O Natal só é magico quando se tem menos de 10 anos. As luzinhas, o brilho e a comida só se tornam especiais quando não se da pra tocar na ponta da árvore. Antes, todos os meus tios iam para a casa da minha avó, não importava onde eles morassem. Todos os meus primos ficavam a semana inteira na casa, e nós fazíamos apresentações depois da ceia, antes de trocar os presentes. As vezes eram teatros que minha avó organizava, e outras era uma pequena sessão de cinema com vídeo caseiro que um de meus primos tinha preparado durante o ano. Eu sempre era o anjo, mas só uma vez tive asas. 

Quando cresci, meus tios brigaram entre si. Alguns deles não vieram mais, e se mudaram para bem longe. Meus primos, eram mais velhos que eu e tinham coisas melhores pra fazer nessa data. Ninguém mais queria tirar os papeis do amigo secreto. Ninguém mais sabia escolher presentes legais. Ninguém mais fazia sobremesas. Ninguém organizava as apresentações. 

Em um desses, natais decadentes, ganhei um livro de minha avó. Era um livro cristão, e não é que eu não tenha fé ou tenha ideias niilistas. Mas não gosto de ler sobre isso. Eu queria gostar do presente, mas não era algo pra mim. Nunca li o livro. Acabei trocando por um exemplar antigo de Goosebumps. Me sinto cruel. Seria cruel também, nunca ler e não dar a chance para alguém que queira. 

No ultimo Natal, estava viajando com meus pais. Não ficamos acordados ate a meia noite. Não fizemos nada de especial. Não trocamos presentes. Foi  apenas mais um dia. E é triste pensar em como nunca mais vai ser como antes.  

ao meu primeiro amor

não sei se é ela mesmo ☹
Para o meu amor (não) correspondido,

A primeira vez que te vi. Isso foi a alguns meses atrás, mas lembro disso todos os dias. Isso me persegue e condensa em todas as minhas memórias. Tudo que sai da minha boca acaba tendo fim em algo que me lembra de ti. Nunca irei dizer nada, pois sou covarde. 

Em novembro, no sábado. Talvez tu não se lembre disso, talvez só eu tenha visto. Mas vou lembrar disso todos os dias, e estará em todas as minhas memórias. Nunca mudarei nada. Quando me abraçou de repente, e eu provavelmente corei e corri. Eu queria que fosse assim todos os dias. 

Pensei nisso durante as férias de verão inteiras. Principalmente pela manhã.  Que era feliz e triste. Eu queria que todos os dias fossem como aquele, mas eu tenho medo e não vou dizer nada, não vou mudar nada e nem fazer nada. Vou guardar isso em segredo, pois só pertence a mim.    

tudo tem um motivo


provavelmente é daqui
Poderia ser sábado, mas acabou sendo domingo. Nunca quis estar ali, mas no ultimo momento senti pena de mim mesma e acabei por ir. Na entrada, na bancada da cozinha, todos estavam de pé conversando. Não lembro que música tocava. Conhecia todo mundo, mas naquele momento era como se não. Tinha bastante gente, mas me sentia tão só. 

Depois de um tempo não lembrava porque queria ter ido. Eu sofria.

Quando perguntaram qual deveria ser o nome do teu personagem na banda desenhada dele, eu disse alto, que tinha de ser O Cara. Porque tu usa essa palavra em abundancia, e é engraçadinho. Tu ficou com vergonha, e não intendeu o que eu queria dizer. No final quis dizer em todos os sentidos. Nós paramos na porta de correr dos fundos, e tu disse que a tua vida é baseada na humildade e na empatia, tudo que tu faz é o minimo pra ajudar quem está por perto. É o minimo, e não deveria ser visto como algo tão bom, pois todos deveriam fazer isso. Mas as coisas não são assim, e eu achei isso triste. 

Voltei a ficar quieta. Fiquei sozinha naquela cadeira alta da bancada, e todo mundo do lado dançando e falando no sofá. Eu queria ir embora. Pensava naquilo que me tinha dito. Foi pegar o copo ali perto, e me perguntou porque estava tão melancólica, e não ia para o outro lado. Eu não queria ir, não tinha motivos. E tu falou que tudo tem um motivo, que nada acontece por acaso, e ia terminar de falar essa filosofia  bonita quando ti puxaram. 

Quando nos falamos depois, tu disse que não lembrava de nada daquele dia. E eu nunca pude saber o porque tudo tem um motivo. E desejei nunca ter ido naquela festa, pois desde então não sei porque me sinto tão triste.  

eu gosto de tomate

ilustração de Jonatan Cantero

Escarlate longa vida
Italiano
Cereja
Verde e frito
Eu gosto de tomate
direto do pé
na temperatura ambiente
sem conservante
livre de 
tóxicos 
sal
e vinagre

 pra saber mais do projeto

eu gosto das estrelas como mariposas gostam da luz


ilustração de Carolina Carretto

A primeira vez que acampei é uma das lembranças que me marcam até hoje. Foi numa floresta de pinheiros no inverno. Tudo tinha cheiro de pinheiro, mas o cheiro de verdade, não a essência idêntica ao natural que nunca tem nada a ver com o natural.

Montamos as barracas e fizemos a fogueira antes de escurecer,  perto havia um rio que refletia tudo a sua volta, como um espelho. As barracas eram amarelas como botas de chuva, e sempre que caminhávamos podia se ouvir o farfalhar das agulhas e cascalho que cobriam o chão. Em torno da fogueira, junto de cobertas e troncos caídos, nos sentamos enquanto Thomas tocava em seu violão músicas da Legião Urbana. Alguns de nós conversavam baixinho enquanto outros dançavam em torno do fogo segurando xícaras de porcelana branca com velas acesas.

Eu me deitei sobre um grande xale de lobos ouvindo em frente a lua e contei as estrelas até não saber mais qual seria o próximo número. As velas das xícaras flutuavam na escuridão depois que a fogueira se apagou, até que não sobrou mais nenhuma luz a não ser a do céu.

O calor do sol incomodava meus olhos, e foi isso que me fez acordar. Fui a primeira a levantar e uma das muitas que adormeceram fora das barracas, e achou que aquilo fosse a coisa mais aventuresca do mundo. Sentei na beira do rio com os pés na água gelada, fiz caretas para os pequenos peixes verde-violeta, risquei a terra com um graveto e guardei as mais diferentes folhas e flores num diário de capa púrpura. Traçamos retas paralelas de lama na bochecha, dobramos as calças até os joelhos, corremos entre os pinheiros e rochas, fotografamos todos os animais que vimos e nos escondemos até um de nós achar o outro. Fizemos barulhos esquisitos e comemos muitos sanduíches de alface.

Ia escurecer de novo, mas eu queria viver ali para sempre, eu queria morrer ali para as os pinheiros nascerem sobre mim, para os pássaros pousarem, para encostar as estrelas. Pois eu gosto das estrelas como mariposas gostam de luz.

 pra saber mais do projeto

domingo

origem

São 14 horas e 26 minutos de um pacato domingo chuvoso. Sentada no tapete que imita padrões persas, ela aprecia os livros e velharias da estante a sua frente, uma menina de cabelos castanhos curtos com cachos graúdos que estrala os dedos repetidamente enquanto curva a cabeça a fim de ler todos os títulos e detalhes. Tem os olhos escuros, e embora alguns digam que pareçam orientais ela tinha certeza que não tinham nada a ver com isso. 

Os longos dedos empurram para frente um livro de capa vermelho escarlate que acaba por cair em sua mão contrária. Ela abre e o cheiro de poeira a faz espirrar. Deitada de bruços no tapete com a roupa que dormira, uma camiseta vermelha com personagens coloridos e uma curta bermuda cinza, a menina lê atentamente a história, esquecendo de tudo que já quisera ser um dia.  

 pra saber mais do projeto