049: acidentes
autoentrevista e a entrevista da sylvia plath
Por que você está fazendo esta entrevista?Porque a entrevista é [...] um canteiro virgem de conteúdo fértil.Por que você está fazendo esta entrevista?Para que eu possa descobrir o que deixou de ser secreto.Por que você está fazendo esta entrevista?Para me proteger.De quê?Da imaginação das pessoas. [...]Por que você está fazendo esta entrevista?É uma forma de liberar culpa.Por que você está fazendo esta entrevista?Quero cristalizar a situação cotidiana de falar comigo mesmo.Por que você está fazendo esta entrevista?Por que você está fazendo esta entrevista?Para formalizar e isolar a mim mesmo.Por que você está fazendo esta entrevista?Para entrar na consciência dos outros.
— Trecho de Another autointerview, de Lucas Samaras
(tradução de Sonia Salgado Labouriau)
Qual a última coisa que você fez?Perguntei a minha mãe onde é o Casaquistão.Qual a última coisa que pintou?Não lembro. Penso nas duas figuras vermelhas mascaradas.Eu quero pintar mas não consigo.O que além da pintura é arte?Tudo que se propõe a ser.O que não é arte?Todas as outras coisas.Qual a primeira obra de arte que você se lembra de reconhecer como arte?Abaporu.Qual a primeira obra de arte que você viu ao vivo?Uma gravura em metal, de mulheres nuas dançando em ciranda de alguma artista modernista brasileira. Não lembro dos nomes. Foi ano passado.Qual a primeira obra de arte que você sentiu?Desenho imenso em caneta ou lápis, não me recordo. Era um zoom numa barriga sendo apertada muito forte pelas duas mãos. Foi na noite dos museus, numa exposição sobre o feminino. Não me recordo mais que isso.Você se esquece com frequência?Sim. Eu me lembrava de tudo até os 16, depois não consegui mais guardar nada e o que tinha guardado se misturou e perdeu-se.Tem medo de que todas as suas memórias sumam?Sim, é meu maior medo.Qual o seu menor medo?Morrer.
ensaio sobre minha produção artística
como escrever (mentira!)
Preciso escrever uma carta para um artista ou alguém importante para a minha relação com a arte, transformar um texto sobre arte em entrevista fictícia, fazer uma autoentrevista sobre minha relação com a arte, responder uma entrevista feita por um artista, crítitico, historiador ou professor a partir das minhas próprias experiências e ideias.
Já fiz uma lista com tudo que fiz no dia, uma instrução sobre dar sustos, uma carta contando sobre meu memorial descritivo do mini documentário, uma deriva, um mapa mental com ligações entre todas as pessoas que já beijei.
não deu tempo
Não Deu Tempo é um mini documentário independente de aproximadamente 8 minutos, e também meu trabalho final para a disiciplina de Laboratório de Vídeo, que estava fazendo nesse semestre que acabou agora e além de tudo isso é minha terceira produção documental.
“Em vídeo, os modos principais de representação são, de um lado, o modo plástico (a "videoarte" em suas formas e tendências múltiplas) e, de outro, o modo documentário (o "real"- bruto ou não - em todas as suas estratégias de representação)”. -Philippe Dubois em Cinema, vídeo, Godard
Nesse vídeo exploro a documentação, gravando respostas espontâneas geradas a partir da questão “o que não deu tempo?” feita a 36 pessoas, entre amigos, conhecidos e desconhecidos. Minhas principais inspirações foram o Cabeças Falantes (1980), o Resposta das Mulheres: Nosso Corpo, Nosso Sexo (1975), de Agnès Varda e o Jorge Furtado.
uma quase oficina de cianotipia
026: sintomas e shows
Mandei muitas cartas esse mês e recebi umas quantas desde o início do ano. Comprei um impressora que imprimi colorido e scanneia muito bem. Estou com medo de não conseguir dar conta das coisas. Sinto que nuuuunca mais vou viver como antes, parece que não tenho mais atenção nem memória e que tem sempre um desconforto que me suga toda a vontade, fico só perdendo tempo.
Agora eu trabalho só quando não tenho aula (mesmo não sendo presenciais), o que significa que é praticamente meio periodo e isso melhorou muito algumas coisas. Segunda-feira que vem (dia 14) vou ter minha primeira aula presencial desde que comecei a faculdade!! E nem vai ser uma aula normal ou só pra gente se conhecer vai ser uma apresentação dos trabalhos feitos até agora. Ansiosa em todos os sentidos da palavra.
As últimas semanas foram bem animadas pois teve uns shows da Gato Vesgo e outras bandas da cidade que ajudei a organizar, o primeiro também sugeri de fazermos uma exposição junto e foi muuuito legal. Sempre faço os cartazes de divulgação. O Bar da Meg é um lugar que até pouco era um bar secreto (=clandestino) e não se sabe se alguma coisa mudou safkdpsokfsdo lá bem legal e alternativo e que infelizmente só vende salgadinho torcida e pirulito para comer, tem mil formas de cadeiras e as mais diversas mesas e um abajur de plumas com luz vermelha, fica perto da faixa e as vezes vai uma galera velha esquisita mas quando tem evento assim lota de gente conhecida.
Nesse último cartaz eu usei minha gata, a Ursa e o branco (o nome dele é um caso complicado) e no outro usei uns recortes que tinha guardado a anooos e outros que recebi numa cartinha de uma amiga de Brasilia. Também fui numa session da banda Ovo Frito em Canoas e eles são demaaaais, a gente trocou adesivos e depois eles vieram pra cá tocar tbm. O som deles me lembra Boogarins e mais umas bandas que não to lembrando agora aa fokdspofksd desculpa (é verdade isso de estar perdendo a memória!).
Esse é um trabalho que fiz pra cadeira de Sistemas de Representação que é um nome chique pra fotografia. A proposta era: "descontrução da perspectiva a partir do exercício proposto no livro Composição - David Prakel". O texto era bem interessante e objetivo e tinha esse exemplo incrível que é a obra Ian washing his air. Em resumo o texto fala sobre como o cubismo ignora o conceito tradicional da perspectiva e simplifica a forma ou utiliza diversos pontos de vista na mesma imagem, e isso inspira na colagem, na pintura vorticista... que por sua vez inspira David Hockney em 1970 na fotografia. Ele começa a experimentar com a perspectiva, expandindo o tempo e o espaço e criando narrativas complexas através da montagem de joiners, como chamava, a combiunação de imagens do mesmo assunto tiradas de diferentes pontos de vista em diferentes momentos no tempo.
Eu estava esperando um momento legal para em fim fazer o meu primeiro joiner e decidi que no show da Gato com o pessoal tocando seria o melhor para registrar todo esse passar do tempo e angulos e emoção e suor. Gostei bastante do resultado e estou ansiosa para fazer mais.
Em breve, quero escrever mais sobre os trabalhos que estou fazendo para a faculdade. Todas as propostas são muito legais e quando eu tava pesquisando sobre o curso dificilmente achava algo para saber mais de fato, então acho que vai ser interessante ter isso registrado.
Coisas que vi e guardei pra ti:







.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
