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050: escrevendo vendada

fazendo as malas de óculos

Estou na minha casa de férias a 12 dias, amanhã volto para o barulho. Adeus tédio, conforto, cabeça vazia, mercado grátis, pia com água quente, secadora de roupas, andar despreocupada pelas ruas, ócio, box de vidro do chuveiro gigante, luzes baixas, Soneca, minha mãe e esperar Pedro vindo do bairro mais longe de todos de bicicleta para assistir filmes escondido no confortável sofá da sala. 


Dia 14 de julho, a outra terça-feira, foi meu último dia de miopia. Fiz cirurgia a laser e quase tudo que li sobre é verdade: não dói, é rápido, cada olho é um olho e a cada dia tudo pode mudar. Hoje estou vendo bem, de perto, de longe está borrado e o pior são as telas luminosas, digitar no computador é torturante. Penso em daqui um mês, quando o epitélio voltar todo ao lugar, e fazer tudo isso não tiver adiantado nada. Coloco rapidamente meus óculos antigos e já me não serve mais, acredito com mais vigor. 

23 de julho
Vivi como madame. Lavei e esfoliei o rosto, protetor solar e gloss de algodão doce. Camisa quase risca de giz e óculos escuros. Experimentei sapatos de vinil. Almocei no melhor restaurante buffet da cidade. Fiz as unhas: vinho cremoso. Comprei ovos caipira e encontrei minha tia (inimiga da minha mãe), me contou fofocas e mil coisas. Revi minha prima que faz 15 anos no próximo mês. Fiz bolo de fubá (deu errado). Busquei as meninas na escola (minhas primas de 10 e 8 anos). Mostrei meus brinquedos de quando era criança, uma videoarte que usei as vozes delas. Encerramos tomando chá e comendo bolo. 


25 de julho
Amanhã vou ver uma peça que quero ver desde o ano passado e o universo nunca deixava. Daqui um pouco mais de um mês vou ir na super festa de formatura da Joana no Clube. Vai ser incrível! Nesse semestre vamos gravar vários filmes, nossa versão do Drácula no mundo das minissaias, o filme do Pedro que é inspirado na minha festa de aniversário, no Gregg Araki, no Caio Fernando Abreu e em toda a galera gente boa zumzum yeahyeahyeah e claro, nas nossas próprias histórias vividas e ouvidas. Vamos organizar mais um festival de videoarte, mais uma edição da zine do amor, mais um amigo secreto de Natal, mais um jantar chique a luz de velas, mais um o que for, Quando eu voltar tudo vai acontecer. 


Na primeira semana de julho eu fiz tudo que deveria ser feito e estava querendo zarpar como um balão sem nó para as férias e todas as belezas do litoral.  Eu apresentei a parte I do meu trabalho de conclusão e me animei com a academia. Esta sendo divertido e misterioso fazer isso. Fui produtora da exposição no Paço que fizemos em uma das disciplinas e meu professor deixou eu dirigir o carro dele por alguns segundos (imagine: eu sentada no carona e sem carteira de motorista [apenas aulas breves e esporádicas com meu pai], meu professor de óculos escuros e todo de preto, três colegas [incluindo minha melhor amiga Joana, que rezava] no banco de trás.

Fui em várias peças de teatro com a Joana. Fizemos uma noite de degustação de drinks para a formatura dela e também fomos numa degustação muito chique com pratos que vinham com cloche (também para a formatura dela). Pedro fez bolo de fubá na minha casa porque ele não tem forno na casa da capital. Fizemos um café da manhã na hora do almoço na segunda-feira porque é quando o Carlos não trabalha no restaurante e o Pedro fez o famoso bolo de chocolate com whiskey e butter toffee. Saímos para fotografar num domingo feio e frio e vimos a beleza das cores. 

Eu tenho medo de a vida não ser doce e acida ao mesmo tempo, das flores murcharem e de chover todos os dias, eu tenho medo de nunca mais poder ver como antes, de perder tudo, de me queimar e me arrepender de coisas que não fiz. 

down down in the high society


Perfumes da Granado, queijos finos, conversas com imaginação, as coincidências, tecidos nobres, sapatinho, livros que ressoam, palavras engraçadas, luminárias e abajures, moveis com desenho, desenhos toscos de grafite, tropicália, cinema novo, frutas e legumes, manjericão, chocolate, som de teclado, piano, jazz, sussuro, sofá, veludo, seda, cashmere, rúcula, Whiskas sachet, beijo, pijama, unhas feitas, vinho, especiarias, camisa branca, meia calça, visita surpresa, ligação de telefone, email, madeira, correio surpresa, presente surpresa, festa surpresa, cachecol comprido, praia, Aperol Spritz, Moscow Mule, cinema, ceviche, quiche, torta, chá, porcelana, moldura, espelho de bolso, sutiã de renda, sacada, varanda, roseira, luz do sol, lareira, óculos escuro, água com limão, acordar sem despertador, amizade, vela, fogo, modelo vivo, banqueta, viajar, gelato, espelho de corpo todo, terraço, escada, não, escadaria, ouvir, anotar, prever o futuro, arriscar, ler em voz alta, contar um segredo, café especial, pintar em tela, carvão, carne assada, o pelo do gato, colchão de mola, lata, poesia, papel, voz aveludada, baú, otomana, lencinho, degustação, premiere, massas, gengibre, gravura, passe-partout, respiro, suspiro, gargalhada, caixa de som, capas, hot yoga, corrida no parque, observação de pássaros, penteado, blush, o tédio. 

049: acidentes

Hoje é dia 15 de abril de 2026 e eu já fui em 7 aniversários, 6 festas de formatura e perdi mais aberturas de exposição do que gostaria, fiquei doente quase uma semana e voltei para minha cidade natal umas 3 ou 4 vezes. Na segunda-feira A. que trabalha comigo, mas em outro setor, me amaldiçoou por andar de bicicleta sem capacete. Eu não tenho capacete, é muito caro e eu sempre gostei de andar de carro sem cinto e de atravessar a rua sem olhar direito para os lados. Faz menos de 4 anos que comecei a ter medo do trânsito e de quão violento pode ser uma batida entre automóveis gigantes e descontrolados. Esse também é o tempo que nutro uma vontade imensa de atravessar a avenida perimetral correndo olhando apenas para frente usando um vestido branco esvoaçante, desejando freadas abruptas e capotas amassadas. Foi esse ano que assisti Crash (1996) pela primeira vez e sai do cinema insatisfeita com a quantidade de batidas e ação que haviam me prometido e foi semanas atrás quando a poucos metros a minha frente vi uma moto batendo contra um ciclista parado que fazia guarda no semáforo e arremessando ele longe.

filme: Crash (1996)

Ontem a noite eu sai para andar de bicicleta como é de todas as terças, o freio de trás estava inútil desde a semana passada e eu prometia para mim mesma que levaria para consertar logo. Nós subimos e descemos lombas o trajeto todo e depois da parada na praça misteriosa, no meio do caminho, eu comecei a me acostumar que deveria frear sempre com a esquerda e foi isso que fiz quando a bicicleta empinou na descida e eu cai de joelhos no asfalto quente. Tudo do lado esquerdo estava pior, mais sangrento e lanhado. Senti como uma cambalhota engraçada em camera lenta mas tudo era muito confuso e difícil de lembrar. Alguém levou minha bicicleta, intacta, para a calçada e eu fui sentar lá também, esperar a dor acalmar. O que me deixava mais aflita era a panturrilha que doía mas não tinha nada e até agora é so uma dor invisível. Semana passada tivemos uma aula sobre amputação, fetiche, membros fantasma e coisas que nem me lembro mais, lemos partes de Fantasmas no Cérebro de Vilayanur S. Ramachandran e Sandra Blakeslee e discutimos essa coisa louca que é sentir algo que não esta mais lá. Então eu cheguei em casa e não conseguia esticar nem caminhar com a perna direta, tomei um banho dolorido e lavei o sangue com água morna. Eu sentia que devia chorar mas não conseguia. Não lembro de sentir toda essa dor quando ralava o joelho na infância ou de imaginar que poderia ser pior, de me sentir diminuta e incapaz. Fui dormir sem falar nada. 

048: uma série de acontecimentos e remediações

Estou doente desde segunda-feira, são os anjos me castigando por querer viver a beça.
Uma série de acontecimentos e remediações:
dor de garganta ao acordar: hexomedine
cheguei ao fim do dia: sem voz 
aula: sair a rua 
rua: lomba, sol, uivar, corrida, pavor, listas, anotações; 
dor de cabeça, fadiga, falta de ar: repouso 
infecção na garganta: azitromicina 
febre: paracetamol 
ligações de minha mãe: a cada quinze minutos, terminando sempre com, seria bom voltar    
filmes: cochilo 
frio: termômetro  
tosse: pastilha 
dor nas costelas de tossir: rezar 
coriza: soro 
nariz: papel 
almoço: strogonoff 
dor no estômago: água de coco (o antibiótico destruindo meu estômago como um monstro voraz) 
     fim da tosse: leite com açúcar e canela

E o mundo acontecendo e vários convites e eventos e fotos e eu sem puder passar nada pra ninguém. 

terça-feira: abertura de exposição no trabalho 
sexta-feira: sair para fotografar, cinema 
sábado: diversas aberturas, evento no instituto cultural r., gravação do filme no terraço (adiado), leilão de arte, diversas aberturas de exposições que parecem muito boas! + ver amigos queridos
domingo: almoço no Beverly, jogo de cartas, clube de leitura em voz alta, jogo de taco

047: esquece este drama ou o que for sem sentido

As aulas voltaram. Com o fim do estagio, fui efetivada. Esse semestre começo o trabalho de conclusão de curso. Estou me inscrevendo em vários editais de exposição, coletivo e individual, com curadoria. Tenho aniversários e festas de formatura toda semana. Não tenho ido a aberturas e vernissages. Sai para caminhar e quase correr com J e P. Estou cansada, desatenta, confusa e com a cabeça nebulosa. Adoro ler no ônibus, indo de uma cidade a outra. Minha impressora não esta imprimindo a cor azul. Tenho muitos amigos de coração. Vi um acidente. 



7 de março de 2026
sábado

Fui ao mercado acompanhar minha prima. Estou sem dinheiro, na verdade eu não gosto de usar meu dinheiro. Encontrei Mateus, que não via a anos, desde quando ele terminou com a namorada e começou a sair com a mãe da namorada de um colega. Fui a feira, ele se perdeu e nós compramos banana, pimentão, tomate cereja, cenoura, ovos e não lembro o que mais. Fiquei de bobeira em casa, almocei sanduiches de salamito com rúcula, arrumei a cômoda e guardei os calçados do chão. Segunda-feira: fiz uma bolha em cada calcanhar andando de sapatilha da casa de J até a minha as 20h. 

As 17h comecei a me arrumar: troquei de roupa e de sapato três vezes, passei batom e usei um perfume novo. Cheguei as 18h30min na abertura do café do Museu de Arte Contemporânea onde J faz estágio. Ela colocou meu nome na lista. Petiscos de provolone, gorgonzola, brie, parmesão, camarão, abacaxi, azeitona, copa, salame, bruschetta de tomate e cogumelos, de pera e queijo, ceviche, champagne, Aperol. Conversa com as meninas entre uma mesa e outra, se agachar pra comer e sentar nas almofadas meladas de bebida. Suco de caixinha. Falar com jornalista bêbado. Fotografias que são pinturas e pinturas que são sacolas plásticas. A origem do mundo. Um carrinho de mercado gigante de ponta cabeça, é o fim da festa?

20h30min estamos no carro para o aniversário e comemoração de formatura da Bia no bar. É no jardim, lá dentro tudo fechado para o aniversário de 30 anos de uma amiga da irmã de J. A capital é pequena. Tem banda de pagode fazendo o som dos 30. Tem docinho de amendoim, tem drinks deliciosos: Mojito, Moscow Mule, saquê infusionado com hibisco e espuma cítrica com gengibre. Tiago chega com a quase mais nova namorada, estamos todos no terraço do jardim escrevemos cartas para a Bia. Tem discurso na escada e parabéns. Tem bolo com doce de leite. Tem vários grupos de amigos: faculdade, ballet, amigos de amigos, amigos de infância, família, centro espírita. A mãe de Bia é terapeuta, disse que estava feliz de poder entrar no vestido de novo. 

Eram 22h e pouco e ela disse para comprarmos ingressos para a festa depois, eu e J nos convencemos de ir por ser na Sauna Karan D'Ache. J desistiu de ir. J foi contra a vontade. Ganhamos carona do namorado da dona so sex shop que tem em frente ao bar, ela conhece Bia a um ano. Por fora o prédio era uma escola gigante e murada, por dentro o salão dos ingressos com colunas triangulares, paredes de pedras brilhantes, de mármore, de pedras opaca, um corredor cravejado, apertado e ondulado, o salão com árvores que passavam o teto, uma cachoeira tampada pelo DJ. Dançamos, tomamos Xeque-Mate, fomos ao fumódromo, encontramos figurinhas da abertura de antes, vimos uma bunda com uma âncora tatuada na ida ao banheiro, esperamos o gelo derreter para tomar água. Eram 4h da manhã, um homem pergunta se eu quero adotar um gatinho e abre a mochila cheia de gatinhos. Em casa, tomo banho e durmo e sonho que Tiago esta nos dando uma aula ao ar livre. 

046: coisas das férias


Terceiro dia arrumando meu quarto número 2 que já foi o número 1. Semana passada a Joana passou uns dias aqui. Nós fomos a praia no primeiro dia e no segundo também, nos queimamos de  sol depois de horas no mar, deixamos nossas coisas num quiosque e no final do dia fomos a piscina do condomínio da vó de Enrique. Nos dias seguintes assistimos filmes e jogamos The Sims e foi como quando eu era criança e minha prima passava dias na minha casa. 

Estou lendo 3 livros: Mas em que mundo tu vive?, de contos do José Falero, ele me faz pensar muito; A vegetariana, romance de Han Kang, que a Joana me emprestou e pegou emprestado com a tia dela que trabalha com tradução; e Uma noite com Sabrina Love, romance de formação de Pedro Mairal, o qual descobri por acaso com uns poemas soltos traduzidos por um amigo distante. Ando pensando em até quando romances de formação e filmes sobre crescer vão fazer a minha cabeça. 

Fiz as unhas no salão duas vezes, bolo de cenoura com calda de chocolate: uma, visitas na casa da minha vó: acho que umas cinco, visitas na biblioteca: duas, vi meu pai: três. Volto para o meu quarto número 1 sexta e então logo tudo voltará: terei mais uma formatura, acho que vamos jantar na rua depois, almoçarei no Beverly no dia seguinte, vamos a uma exposição, jogar cartas na casa do Carlos, foliar, ver um show, fazer compras no mercado, arrumar o quarto número 1 que deixei pela metade, lavar roupas, almoçar com as meninas, ir ao cinema, fazer diversas reuniões, voltar ao estágio. 

coisas perdidas que encontrei:
⭐ agarradinhos
⭐ laços de cabelo
⭐ pedrita
⭐ coleção de filhote mania
⭐ cartas, convites e negativos dos meus pais
⭐ CDs 

coisas esquecidas que encontrei:
⭐ meias 
⭐ colcha bordada de quando era bebê que minha mãe nunca terminou
⭐ coleção de etiquetas
⭐ coleção de cartas e postais que troquei
⭐ vidros cheios de pequenas coisas (obsessões)
⭐ fotografia minha quando criança no shopping 
⭐ cadernos de desenho e diários
⭐ carimbos que fiz no 1º semestre da faculdade
⭐ câmeras quebradas 
⭐ cachecóis
⭐ papeis, réguas, canetas e lápis
⭐ caixas de presente
⭐ moedas
⭐ pelúcias e brinquedos
⭐ 1ª zine que fiz! sobre as músicas que mais ouvi no ano de 2016

status facebook trendy

Estou: de férias, com cólica e me sentindo feia.

Recomendações de amigos para assistir: 
⭐ A um passo do abismo (1979)
⭐ Conto de verão (1996)
⭐ Inferninho (2018)
⭐ Hausu (1977)
⭐ Quartos vazios (2025)
⭐ I love LA (2025)
⭐ PEN15 (2019)

Última festa de aniversário que fui:
Junas, terça-feira passada no Point Beer                                       
Hoje às 18h tem festa do Val no salão de festas do prédio dele.                      

Última coisa boa que assisti:
Luciano Spiderwick e o paradoxo do pé preso (2025), na mostra de curtas da UNISINOS que teve essa semana na Cinemateca.

Descobri recentemente e já decorei todas as músicas: Ebony

Gostaria de ganhar de presente: 
Livros da Joan Didion, da Sophie Calle que foi traduzido, de fotografia, os quadrinhos da Juliette Collete, uma viagem, dinheiro, ventilador de teto, poltrona ultra confortável, lingerie da Les Pucis, um projetor, carro que nunca acaba a gasolina, um apartamento só pra mim (com moveis bonitos!), escrivaninha bem grande...

Ultimo presente que dei:
Baralho dourado para o Carlos, presente meu e do Juan.

Penúltimo presente que dei:
Espelho de mão da Betty Boop para a Paula, no amigo secreto na casa da Joana.

O que vou fazer amanhã:
Montar casas de gengibre que o Vitor trouxe da Australia com o pessoal.

O que vou fazer no final do ano: 
Não sei.

Planos para as férias:
⭐ Assistir todos os filmes
Dormir ate cansar
Ir a praia
⭐ Finalizar o curta
⭐ Aprender a usar a camera
⭐ Desenhar
Ir a Biblioteca Pública
Visitar minha avó
⭐ Fazer um bolo

Último autorretrato que tirei:
(foi ontem, quando cheguei em casa)

pensamentos intrusivos

eu quero que me dê espaço, que me dê atenção, que me dê beijinhos na bochecha, com carinho e cuidado, que me questione, me pergunte, me ouça com atenção, e anote todos os compromissos que eu falar, que faça comida chique, que coma salada e descasque frutas para mim, que goste de correr, que me chame pra sair, pra ir a sessão da meia noite, pro teatro, que não tenha problema com gastos, que conheça tantas músicas quanto eu, que saiba cantar e tocar e dirigir, que me busque a noite na aula, na rodoviária, que goste de tomar banho e não tenha mau hálito, que não fume, que não tenha asma, que não seja alcoólatra, que saiba como me presentear, que me faça cafuné até dormir, que não goste de filmes de guerra, e faça trilhas e saiba andar de bicicleta, que tenha irmãos ou irmãs, que estude e ame algo além de mim, que seja simpático, que veja filmes sem dormir, e me faça rir, e me faça cócegas e tenha cócegas, que me tire o ar, que me amarre os cadarços sem apertar, e chegue antes de mim sempre, e seja cuidadoso e goste de gatos, que seja gentil, tenha boas histórias de infância, goste de tirar fotos e de vez em quando escreva, que me deixe bilhetes e cartas e provas de amor, que esconda coisas e esqueça onde, que não tenha insônia, não ronque, saia e volte, e compreenda quando estou triste e me abrace, com calma e acalanto, que me cante docilmente e diga que tudo é agora. e seja organizado e faça surpresas, que acorde cedo e tenha muitos sonhos a noite, que saiba de plantas e beba chá, que beije suavemente meus lábios antes de qualquer coisa.


são paulo III (todo dia)


Andei de avião quase sozinha e fiquei com dor de ouvido no pouso.
Me hospedei na Augusta
Comi pizza em fatia.
Dormi em uma cama de casal.
A cidade é muito barulhenta.
Só ouvi músicas para São Paulo.
Tomei café da manhã.
Fui no Instituto Moreira Salles.
Não me perdi.
Almocei no Pop Vegan.
Andei de ônibus e metro. Um ônibus quebrou, então tivemos que pegar três.
Vi a Bienal, correndo.
Experimentei suco de amendoim da Luiza.
Bloqueamos o cartão de ônibus do Zero sem querer passando para todos.
Conheci os amigos de Zero no Coffee Corner.
E os amigos dos amigos. 
Fiquei com dor de barriga.
Virei fã da Ebony. Mas isso foi antes de andar de avião acho.
Usei minhas roupas novas.
Participei da Miolos, conheci a Biblioteca Mario de Andrade e não deu tempo de ver a exposição com Matisse. 
Conheci quase todas as pessoas da internet e nós temos praticamente a mesma altura.
Troquei muitas coisas.
Comi panquecas, esfihas e o sanduíche de Pernil do Estadão.
O Estadão é uma lanchonete tradicional muito parecida com a Lancheria do Parque, que tem em Porto Alegre. Porem o Estadão fica numa esquina, o espaço é um pouco menor e ao invés de xis eles servem cacetinho com pernil. O meu pedido veio errado para bom: tinha abacaxi junto!
Jantamos shawarma
Aprendemos a jogar Touch, eu não sei como se escreve mas se fala como touch de touchscreen e Pescaria. Jogos de carta que precisa ter muita memória. 
Descobrimos o segredo de...
E de algumas coisas.
E disse que me ama e eu disse não acredito.
Café da manhã: bauruzinho de brocolis com queijo minas. 
Liberdade, bairro. Almoço: ton-don com shimeji e cebolinha (veio errado, pra melhor!). Encontrei a Bruna que chegou chorando no restaurante pois não entendia a localização do GPS. 
Comprei um estilete de precisão. 
Experimentei takoyaki de uma velhinha muito velhinha. Bao de uma padaria que ninguém falava português. Moshi caseirinho. E legumes desidratados que não deviam ser comidos assim. 
Passei num sebo muito velho, com CDs gigantes, do tamanho de discos. Pedimos descontos e roubamos fotos de um album de família que estava a venda. 
Comprei alguns presentes e sapatinhos. 
Fomos no Cine Belas Artes e não deu tempo de ver o filme.
Café da manhã: croissant no Charme.
Visita ao Trianon e choque com as babás.
Visita ao MASP.
Liguei para Joana. (talvez tenha sido antes)
Almoçamos no Shopping Center 3.
Sobremesa com sorvete chique da Bella Paulista.
Terminamos de organizar as malas.
Passei uma última vez no Moreira Salles, com as malas e tudo, para ver os livros que era meu objetivo principal desde o começo. 
Pegamos o metrô, o trem, o ônibus e por fim o avião e então um carro e chegamos em casa. Comemos arroz japonês com carne de porco e cebolinha e mais sei lá o que, que a Luiza tinha feito, e estava uma delícia. 

Só quando voltei, aprendi que Augusta, Angélica e Consolação do Tom Zé não é só sobre mulheres. Enquanto estava lá descobri que o estádio Morumbi agora é Morumbis por causa do chocolate Bis e que o Largo da Batata quase virou Largo da Batata Ruffles. Aprendi que existem várias estações da luz e que São Paulo é igual o filme que Horas ela volta e vários outros, com coisas que achamos que não existem mais. 

Não fomos na Pinacoteca, nem na Pinacoteca Contemporânea, nem no Museu de Arte Contemporânea, ou no Museu de Arte Moderna, muito menos em um SESC, não fomos na Folhetaria e não passeamos pelo Ibirapuera, não assistimos filme no cinema e não entramos em nenhuma casa que não fosse a que éramos hospedes. Não ficamos a tempo da abertura da exposição da Agnès Varda. Mas pretendo voltar logo. Eu adorei São Paulo, apesar de tudo. 

Algumas das minhas fotos favoritas da exposição do Gordon Parks no IMS:



são paulo II (mala)

 Acabei de arrumar minha mala. Uma lista de cabeça com tudo que esta dentro dela:

⭐ 2 saias (preta e azul)
⭐ 5 camisetas (azul com gola, marrom, café com leite, verde musgo, dos cabritinhos)
⭐ 1 corta-vento rosa
⭐ 1 calça de tactel
⭐ 1 conjunto de pijama
⭐ 1 calça de pijama
⭐ 6 pares de meia
⭐ 5 calcinhas
⭐ 1 meia calça roxa
⭐ 1 par de chinelos
⭐ desodorante
⭐ pasta de dente
⭐ escova de dente
⭐ fio dental
⭐ hidratante
⭐ produtos para o rosto
⭐ protetor solar
⭐ pente
⭐ gloss
⭐ nivea morango fresa shine
⭐ lip balm de goiaba
⭐ 2 borrachinhas de cabelo
⭐ 2 perfumes de bolso
⭐ remédio para rinite
⭐ remédio para dor de cabeça
⭐ 6 latas com adesivo
⭐ estojo com canetas pretas
⭐ fita crepe
⭐ 2 vasilhas de plástico
⭐ 2 carteiras
⭐ fone de ouvido
⭐ carregador de celular
⭐ 1 bolsinha

Meu voo é em exatamente 5h. Estou muito animada!

Esses dias revi O Assassinato do Senhor Diabo no cinema. Lembrei uma de minhas grandes referências de mesas decoradas, cheias e caóticas. Eu e Pedro passamos a semana toda organizando os materiais para levar. Quando voltar vou continuar as preparações para o meu livreto dos quartos. 

046: são paulo (previsões)

daqui 10 dias eu vou para são paulo pela primeira vez. fui uma vez quando era bebê, e uma vez quando o voo tinha escala. vou ir com meu amigo Pedro L. praticamente vou ir sozinha. vamos ficar na casa de Zero, que arranjei para nós. espero que o colchão seja confortável. conheci Zero na abertura da exposição em homenagem a mãe dele, que teve onde trabalho. era a última parada da exposição porque ela é daqui. estou fazendo um livro de fotografias fortemente inspirado na série quartos dela. ela morreu atropelada a uns anos atrás. de vez em quando penso que também morrerei assim. Zero esta namorado um cara daqui então tenta vir uma vez por mês e sempre marcamos de nos ver. quero visitar a biblioteca de fotografia do IMS, o Tomie Ohtake, o MASP, a Bienal, o Ibirapuera, os SESCS, a Liberdade. estou em dúvida se levo minha camera nova ou não, acho que não vou levar pois tenho medo de voltar sem. comprei roupas novas para ir. no final de semana Pedro e eu vamos participar de uma feira gráfica muito grande na Biblioteca Mário de Andrade. só posso levar o essencial, não vamos despachar mala. preciso trazer presentes. preciso de uma bagagem de mão. vamos de avião, mas inicialmente íamos de ônibus. comprei a passagem de ida errada, jurando que era para Congonhas e seria perfeito e foi para Guarulhos. Zero disse que não tem problema e irá nos buscar lá igual. espero que os travesseiros sejam bons. amanhã vou cortar o cabelo com a Vica, desejo não me arrepender, nunca fizemos isso antes. estou animada mas sem grandes emoções. as vezes sinto saudade de Pedro, ando confusa. passei o final de semana dormindo muito na casa da minha mãe. não me arrependo de nada. tenho me sentido feia, acho que é porque fazem menos de 48h que menstruei. quero viajar mais. quero acreditar no futuro e viver agora.

anotações e porcarias empilhadas em preto e branco


17 de agosto, 11h41min

Lendo Ledusha na praça da Fernando machado e esperando para almoçar no Beverly.

Aniversário do meu irmão


Avó e mãe falam sobre a menina pequena que ia subir no escorregador:

ela vai

vai sem medo 

de se machucar

tem que ser valente

não pode ser frouxa

se ir

não vai chorar

devagarinho


26 de agosto

gosto: surpresa regalia privilégio nome na lista carona convite mimo tiração ficar sem ar gargalhada longa desenrolar segredo fofoca lembrança fotografia coleção


27 de agosto

desgosto: atraso refrigerante cobrança peso obrigação regras repetir assento sem encosto janelas que não abrem enrolação tendência escolher e perder ferida bala pra garganta falar em público



7 de setembro
eu quero morrer
eu quero viver
e cuspir
no meio da rua
na quarta-feira de cinzas
no sete de
setembro
abrir a boca 
até desencaixar
o coração é mole
a cabeça é oca
o raio de sol
cruza o meio da rua 
fora da faixa de
pedestres

16 de setembro
mapa mental: círculo de jantar seta de ansiedade círculo de beijo seta longa círculo de pensamento seta que volta pra jantar seta círculo de conversa seta para beijar seta círculo clima interrogação seta conversa, círculo cumprimento a distância seta círculo sorriso amarelo

23 de setembro
estava meio vazia assim lisa-lisa e então fiquei cheia como quando se põe a mão nos grãos de feijão no saco do mercado e eles caem por entre os dedos

28 de setembro
hoje eu e e e mas apesar de eu não vou mais por enquanto, por favor não peça além de até eu voltar da beijos até breve!

1 de outubro
e os cinquenta reais que gastei no fim de semana comprando um livro de poesia pechinchado, vou comer a semana toda


3 de outubro
eu morri e ninguém fez uma pergunta do tipo como era o lugar que morei na infância ou como são meus pais melhor porque não conseguiria responder nem ao menos com o que eles trabalham por medo de se tornar verdade

almoços

23/08 - sábado
pão português na chapa, ovo mexido com cebolinha, chá preto com leite e mel

24/08 - domingo

tiras de frango, batata inglesa cozida com manteiga e cebolinha, refogado de abobrinha, tomate e cebola


25/08 - segunda

tiras de frango, batata doce assada, refogado de abobrinha, tomate e cebola


26/08 - terça 

bife de frango, batata inglesa cozida com manteiga e cebolinha, arroz cateto com gergelim e cebolinha


27/08 - quarta

pão português, rúcula, maionese, salamito e queijo mussarela


28/08 - quinta

pão semi italiano, ovo frito com gema mole, maionese, salamito e queijo mussarela, iogurte de morango Activia e chá preto com leite e mel

desejo: McDonald's 


29/08 - sexta

Yakisoba de frango do Bamboo Sushi Cidade Baixa.

nota: não estava bom como eu esperava






ps: acho que fui amaldiçoada

045: julho embrulho

21 de julho, 2025
segunda-feira
primeiro dia oficial das férias

Tenho sentindo o que é ser mulher na sociedade e essas coisas que sempre soam muito clichês. Essas coisas que sempre parece ultrapassadas e vencidas. Então tem todas essas pessoas, como eu, que parecem mais novas do que realmente são, com peles de protetor solar e roupas de adolescente e assuntos rasos ou difíceis demais ou que não me interessam em nada. E amigos que são como irmãos mais velhos com seus bigodes e sapatos de formatura, e amigos de amigos que parecem que são seus amigos mas são apenas cumprimentos e algumas risadinhas. E eu vejo como ela não se sustenta numa conversa com conhecidos, e eu também não, e eu tenho medo de estar ali e ter aquele silêncio constrangedor e ter que olhar o celular e não ter nada lá também. E não tenho coragem de aceitar um convite sozinha e dizer o que realmente penso quando elas ficam como moscas nas lixeiras. 

26 julho, 2025
domingo

Acabei de terminar minha contribuição para a zine do Cine Vestígio, cineclube que apoiou o lançamento da LoveZine na sessão do dia dos namorados. O filme da vez era Kamikaze Hearts. Eu não gostei. Para a zine tínhamos que fazer algo haver com a mostra À flor da pele, passaram ótimos filmes. Eu Escolhi fazer sobre um que não vi na mostra, pois estava viajando no dia, mas já tinha visto em casa: Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão, estreia do Almodóvar e único filme que já assiste dele ate agora. Gosto bastante desse porque ele é divertido e maluco e bonito. Finalmente fechei todas as minhas pesquisas e referencias. Como inspiração pro desenho pensei em revistas antigas e nas ilustrações do filme Diário de uma adolescente, e com isso adaptei um trecho do comercial das Calcinhas Puton ou Bragas Pontes, como descobri que é no original. Não entendi porque foi traduzido como Puton.

Eu estou muito curiosa com o que as outras pessoas vão enviar, acredito que a maioria serão analises ou resenhas. Também quero muito ver impresso e pronto, espero que tenha um evento de lançamento porque estou com saudades desse tipo de coisa. Estou em Osório desde terça e até que não tem sido tão ruim, estou descansando bastante, revendo muitos filmes e jogando paciência. 

Aqui o resultado final:

oráculo, desejo e a imaginação

ilustração de Aude Bertrand

Quando eu desejo muito, os sonhos frescos, bem ventilados e brilhantes e acredito piamente, acontece e aparece só com o poder do desejo, o sexto sentido do querer-precisar. Quando nas horas vazias fantasio em palco de topo o espetáculo começando com o cenário completo. 

  1. Aos 7 anos rezei na porta da escola, quando terminei minha mãe apareceu finalmente para me buscar atrasada. 
  2. O jogo de adivinhar quanto media o barbante no hotel, eu sentia que ia acertar e aconteceu, com um suco grátis no bar da piscina. 
  3. Meu primeiro amor, que imaginava aos beijos na saída do prédio da aula de desenho. Ficamos juntos por 68 meses. 
  4. Durante a pandemia, prometi a mim mesma que seria última vez que faria uma prova. E foi. Passei no vestibular exatamente como queria.   
  5. Minha cadeira de escritório, o destino. Um presente que veio do outro lado parque. 
  6. Semana passada: a banana que o anjo Gabriel me trouxe sem que eu desse um pio sobre pensar muito nela antes horas da exposição. 
  7. O livro Os Anões que surgiram rápido. O tempo entre o nascer e o por do sol. Comecei a ler voltando para Porto Alegre, no ônibus tremelicando a tela toda e terminei com ele nas mãos durante a janta na casa de Val e Fran, quando Fran disse para olharmos uma caixa de livros e pegarmos o que quiséssemos de lá. Era um presente da tia que ele tinha detestado. 
  8. Ontem mesmo, quando decidi não levar a bicicleta e ir andando até o trabalho com Joana e falei a ela: hoje Carol volta de férias e com certeza vai ir de carro e me oferecer carona para voltar. Aconteceu. 
Cheguei em casa ontem ainda e contei tudo isso a Ana, minha prima, e ela disse que é paraíso astral. Ela esta errada, porque falta 13 dias para o meu aniversário e isso é inferno astral. Meu melhores dias, vendo assim, só virão em setembro. Estou feliz. O futuro parece incrível daqui. 

044: idéias, pensamentos e músicas

Faz quatro dias que estou ficando doente, mas ainda não fiquei de fato e espero não ficar ate quinta-feira quando vou ao médico. Faz quase um ano que estou com uma dor de dente terrível, que aparece nos piores momentos, como quando fui ao cinema assistir Ainda estou aqui. Enquanto as meninas corriam na praia, eu sofria intensamente. Até achar o último analgésico encapsulado em gel na minha bolsinha, engolir a seco e sentir que estava preso na minha garganta até fim do filme.

Este ano estou fazendo mil coisas: tendo aula apenas com professoras chamadas Marina (são duas), sendo responsável por muitas coisas no estágio (talvez já pudesse ter um salário de funcionária normal), auxiliando na produção de eventos e materiais gráficos com uns amigos (fizemos uma zine, clipe, cartaz, e calendários de bolso quentíssimos, além de um show que vai acontecer no final do mês), produzindo duas feiras gráficas, pensando no meu próximo zine (que se chamará Les Chambres, e reunirá minhas fotografia de quartos e bagunças) e do meu próximo trabalho em vídeo (o Meninos que dançam, um compilado de amigos dançando  tenho pra mim que isso partiu do vídeo onde gravo meu amigo Pedro performando Oops! ... Did It Again da Britney). 

Jean Carlos, Junas, Enrique e Joana
Esse momento aconteceu minutos antes do projeto Meninos que dançam existir no mundo das ideias

Ainda esse ano:

⭐ Eu aceitei que minhas duas carteiras de identidade (uma dizia: não alfabetizada) estão perdidas para todo o sempre, que meu investimento de R$ 150,00 em crédito no cartão de ônibus talvez tenha sido pior que uma aposta e que meus pais perderam as certidões de nascimento (minha e do meu irmão) durante a separação. Então estou usando a carteirinha de estudante para todas as coisas que pedem documentos, até resolver tudo isso. 
⭐ Meu mini documentário Não deu tempo, passou na Cinemateca Paulo Amorim como parte da sessão Audiovisual em curso no Festival Cine Esquema Novo.
⭐ Fique um dia inteiro com a música Adelaide (You'll Be Illin'), do Inimigos do Rei na cabeça. O que me fez pensar em como eu amo músicas divertidas e engraçadas e coisas divertidas e engraçadas e é assim que eu levo minha vida!!!! E as vezes eu me questiono sobre o caráter dessas músicas, mas estamos todos rindo!!!!
⭐ Assisti Arabella (1989), um filme completo: serial killer, amor, sexo, investigação, irmãos perdidos, problemas com a mãe, acidentes de carro, reviravoltas dignas de novela mexicana, vitimismo... e tudo em um delicioso giallo italiano!! Boungiorno inspetore! Tudo acontece aqui! E dois filmes da mostra da Chantal Akerman: A Prisioneira (2000), que percebi muitas semelhanças com o mundo real (claro que sua namorada esta entediada, você tem alergia a passeio, guarda ela num quarto e não desenrola uma conversa!) e Toda uma noite (1982), que imaginava que seria mais documental. 
⭐ Fiquei maravilhada com cada mexida para o lado de camera que acontecia no clipe de Tailor Swif, de A$AP Rocky. Esse vídeo é sensacional!
⭐ Quebrei o dente enquanto comia uma bala Mentos Fruit.
⭐ Visitei o Morro das Cabras. 
⭐ Recebi meus queridos amigos: Joana, Paula e Vitor em Osório. Fizemos trilha e um tour dirigido por mim pelos pontos mais marcantes da minha infância e adolescência na cidade. 
⭐ Pensei muito sobre as pessoas tensas/duras/pesadas/rígidas e as pessoas leves/flutuantes/moles/soltas. Uma ideia que estou desenvolvendo desde conversas com Pedro até uma vez que empurrei Joana no sofá, e ela não caiu. 
⭐ Conhecemos o novo apartamento do Enrique.
Cecília e eu caindo no Morro das Cabras⭐ A Joana caiu de bunda numa esquina com areia deslizante enquanto voltávamos de uma abertura de exposição.
⭐ Fiz muitos amigos que espero levar para vida!







“ACREDITE EM SI MESMO, LEMBRE-SE DOS SEUS AMIGOS, MAS NÃO SE ILUDA, SEJA OUSADO O SUFICIENTE PARA CONFIAR EM ALGUÉM, ESTENDA SUA MÃO A ALGUÉM QUE PRECISA.” 

- SNOTRAG

monte bello

minha prima é
apaixonada no vizinho do 84

ela imagina
arte de Valfré
se ele dorme exatamente no mesmo quarto que ela
três andares exatamente acima
se a cama dele fica
exatamente onde a dela
se ele toma café da manhã na varanda da cozinha
às 7h
se é ele que
joga cigarros
que caem no vão da janela da sala

ela descobriu o nome dele no crachá do Estado
enquanto o secava no elevador
e em qual apartamento ele mora
na vaquinha para o presente de Natal do zelador

ela sabe que a mãe dele é produtora de cinema
e lésbica
que é carioca
e o principal
muito alto