048: uma série de acontecimentos e remediações

Estou doente desde segunda-feira, são os anjos me castigando por querer viver a beça.
Uma série de acontecimentos e remediações:
dor de garganta ao acordar: hexomedine
cheguei ao fim do dia: sem voz 
aula: sair a rua 
rua: lomba, sol, uivar, corrida, pavor, listas, anotações; 
dor de cabeça, fadiga, falta de ar: repouso 
infecção na garganta: azitromicina 
febre: paracetamol 
ligações de minha mãe: a cada quinze minutos, terminando sempre com, seria bom voltar    
filmes: cochilo 
frio: termômetro  
tosse: pastilha 
dor nas costelas de tossir: rezar 
coriza: soro 
nariz: papel 
almoço: strogonoff 
dor no estômago: água de coco (o antibiótico destruindo meu estômago como um monstro voraz) 
     fim da tosse: leite com açúcar e canela

E o mundo acontecendo e vários convites e eventos e fotos e eu sem puder passar nada pra ninguém. 

terça-feira: abertura de exposição no trabalho 
sexta-feira: sair para fotografar, cinema 
sábado: diversas aberturas, evento no instituto cultural r., gravação do filme no terraço (adiado), leilão de arte, diversas aberturas de exposições que parecem muito boas! + ver amigos queridos
domingo: almoço no Beverly, jogo de cartas, clube de leitura em voz alta, jogo de taco

047: esquece este drama ou o que for sem sentido

As aulas voltaram. Com o fim do estagio, fui efetivada. Esse semestre começo o trabalho de conclusão de curso. Estou me inscrevendo em vários editais de exposição, coletivo e individual, com curadoria. Tenho aniversários e festas de formatura toda semana. Não tenho ido a aberturas e vernissages. Sai para caminhar e quase correr com J e P. Estou cansada, desatenta, confusa e com a cabeça nebulosa. Adoro ler no ônibus, indo de uma cidade a outra. Minha impressora não esta imprimindo a cor azul. Tenho muitos amigos de coração. Vi um acidente. 



7 de março de 2026
sábado

Fui ao mercado acompanhar minha prima. Estou sem dinheiro, na verdade eu não gosto de usar meu dinheiro. Encontrei Mateus, que não via a anos, desde quando ele terminou com a namorada e começou a sair com a mãe da namorada de um colega. Fui a feira, ele se perdeu e nós compramos banana, pimentão, tomate cereja, cenoura, ovos e não lembro o que mais. Fiquei de bobeira em casa, almocei sanduiches de salamito com rúcula, arrumei a cômoda e guardei os calçados do chão. Segunda-feira: fiz uma bolha em cada calcanhar andando de sapatilha da casa de J até a minha as 20h. 

As 17h comecei a me arrumar: troquei de roupa e de sapato três vezes, passei batom e usei um perfume novo. Cheguei as 18h30min na abertura do café do Museu de Arte Contemporânea onde J faz estágio. Ela colocou meu nome na lista. Petiscos de provolone, gorgonzola, brie, parmesão, camarão, abacaxi, azeitona, copa, salame, bruschetta de tomate e cogumelos, de pera e queijo, ceviche, champagne, Aperol. Conversa com as meninas entre uma mesa e outra, se agachar pra comer e sentar nas almofadas meladas de bebida. Suco de caixinha. Falar com jornalista bêbado. Fotografias que são pinturas e pinturas que são sacolas plásticas. A origem do mundo. Um carrinho de mercado gigante de ponta cabeça, é o fim da festa?

20h30min estamos no carro para o aniversário e comemoração de formatura da Bia no bar. É no jardim, lá dentro tudo fechado para o aniversário de 30 anos de uma amiga da irmã de J. A capital é pequena. Tem banda de pagode fazendo o som dos 30. Tem docinho de amendoim, tem drinks deliciosos: Mojito, Moscow Mule, saquê infusionado com hibisco e espuma cítrica com gengibre. Tiago chega com a quase mais nova namorada, estamos todos no terraço do jardim escrevemos cartas para a Bia. Tem discurso na escada e parabéns. Tem bolo com doce de leite. Tem vários grupos de amigos: faculdade, ballet, amigos de amigos, amigos de infância, família, centro espírita. A mãe de Bia é terapeuta, disse que estava feliz de poder entrar no vestido de novo. 

Eram 22h e pouco e ela disse para comprarmos ingressos para a festa depois, eu e J nos convencemos de ir por ser na Sauna Karan D'Ache. J desistiu de ir. J foi contra a vontade. Ganhamos carona do namorado da dona so sex shop que tem em frente ao bar, ela conhece Bia a um ano. Por fora o prédio era uma escola gigante e murada, por dentro o salão dos ingressos com colunas triangulares, paredes de pedras brilhantes, de mármore, de pedras opaca, um corredor cravejado, apertado e ondulado, o salão com árvores que passavam o teto, uma cachoeira tampada pelo DJ. Dançamos, tomamos Xeque-Mate, fomos ao fumódromo, encontramos figurinhas da abertura de antes, vimos uma bunda com uma âncora tatuada na ida ao banheiro, esperamos o gelo derreter para tomar água. Eram 4h da manhã, um homem pergunta se eu quero adotar um gatinho e abre a mochila cheia de gatinhos. Em casa, tomo banho e durmo e sonho que Tiago esta nos dando uma aula ao ar livre.