Mostrando postagens com marcador cartas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cartas. Mostrar todas as postagens

I wish you were dead or never born

14 de outubro, 2022
sexta-feira

Não queria admitir mas toda a música Don't da Brvnks, que já ouvi centenas de vezes, e nunca me dei conta que falava sobre isso, é exatamente como me sinto desde quarta-feira. Estou a semanas de indas e vindas dos pensamentos: "eu sei que isso não era pra sempre (será mesmo?)", "a vida não é uma comédia romantica, um romance romantismo", "eu nunca vou amar alguém de novo", "como é bom sentir e estar viva", "como sentir é o pior do mundo e eu só queria morrer ou nunca ter nascidooooo!!!!!!", "porque todas as coisas do mundo falam de amor e carinho e afeto e me me lembram de ti eu te odeio e por causa disso eu queria não saber ler e ser insenivel ao universo". E todos esses sentimentos estão trancados no meu peito e na minha cabeça e eu estou de férias da faculdade, o que influência na minha solidão e em ficar sozinha com todos esses pensamentos. Oh meu deus como eu sou patética!

Sinto saudade de tudo. Não amo ninguém e me sinto um lixo por isso. Tem esse garoto, que eu não sei como dar um fora agora e é como um labirinto. Eu detestei nossa útima conversa tanto que comecei a chorar sozinha na poltroninha e depois sai correndo, no feriado, para espantar os pensamentos até o Wand's.

Eu te odeio. Eu odeio o amor. Eu odeio sentir. E não sentir. Eu odeio que eu te amo. Eu odeio ver o tempo que passou. Eu odeio as lembranças. E eu odeio ficar em casa sozinha. E eu odeio como tudo isso foi por água a baixo e acabou assim.

Agora já é tarde demais,

Gabriela 

Além de entranhas e vergonhas essa carta também é parte do Projeto de Escrita, criado pela Gabriela e indicado pela Nicole! O tema do projeto é: a arte de se reconhecer, e é pra escrever tudo o sentir que deve sem medo, em torno das propostas: 

★ inspire-se em sua música favorita
escreva uma carta
★ descreva um lugar que existe apenas na sua mente
★ um lugar que gostaria de visitar
★ escreva uma biografia de alguém que você admire
★ selecione imagens que tenham a ver com você

Quem mais pilhar de fazer ou estiver fazendo, conta por favooor! Tou muito animada pra ler o de todo mundo :)

oi, pedro

 Caro Pedro,

estou desde às 16h ansiando por escrever essa carta, muitas coisas me atrapalharam inclusive eu mesma, por isso estou escrevendo agora ao invés de lavar a louça que é o que eu realmente deveria fazer. Estou inspirada para escrever cartas porque recentemente (ontem) vi um filme sobre uma escritora que começou a plagiar cartas de escritores mortos para ganhar a vida, esse filme é baseado no livro que a própria escreveu depois dessa grande aventura - história real!. E eu ando muito nessa de filmes sobre escritores, gostaria de saber se tu tem alguma indicação de filme em que o protagonista seja escritor. Eu sou péssima escrevendo e sinto que só declino cada vez mais porque não sei mais pontuar nem acentuar e sinto estar desaprendendo a escrever as palavras corretamente. Culpo a internet e talvez a mim mesma por estragar meus planos de criança de ser poeta. Sabia que era isso que eu queria ser quando tinha uns 7 anos? Eu era fã da Cecília Meireles. 

[...]

Tinha mais algo que queria te falar mas esqueci. Ahh sim!! Pensei que a gente poderia fazer um apanhado de fotos no pinterest ou algo assim para fazermos uma releitura outro dia que a gente combine de se ver. Pensei em fotos bem experimentais meio fotoperformance como essas da Valie Export ou da Franchesca Woodman. Mas pode ser algo mais anos 2000 ou mais ensaio de moda ou outra coisa.

Valie Export
Franchesca Woodman
Franchesca Woodman

Faz meses que penso sobre surrupiar um livro específico da biblioteca por muitos motivos: 
1) Gosto muito desse livro 
2) Ele é antigo, ou seja logo vai estar no pegue e leve que eles deixam lá na frente
3) Eu mereço isso de presente de aniversário de mim mesma
4) A primeira vez que encontrei esse livro estava pensando justamente que queria ler aquela história (sem saber que existia algo tão específico) e lá estava ela na minha cara

Então sempre que eu passo na frente da biblioteca penso em como eu queria aquele livro e hoje eu entrei lá e sabe de uma coisa? Não pode ficar passeando pelos corredores, tem uma delimitação entre a porta e o balcão feita de mesinhas que impede de entrar no resto da biblioteca, até perguntei se não podia mesmo entrar e a mulher disse: não. Eu acho isso meio sei lá porque só da para escolher os títulos que estão sobre as mesinhas que são menos de uns 50 acho. Assim eu não pude roubar aquele livro, ainda. Acho que vou ir lá amanhã e perguntar se eles pretendem por ele no pegue e leve. Como não havia nenhum título do meu interesse exposto olhei os do pegue e leve e trouxe vários, tinha uns com contos e versos do Drummond e tinha até uma peça do Chico Buarque. 

Era isso tudo que eu tinha pra te contar, desculpa ficar te enchendo com tudo isso ultimamente sinto que tô incomodando o tempo todo e não sei é coisa da minha cabeça ou sei lá.

Atenciosamente e graciosamente,

Gabriela Bittencourt

PS: um poema de Angélica Freitas para acentuar o tom cartal:

querida angélica 

querida angélica não pude ir fiquei presa
 no elevador entre o décimo e o nono andar e até
 que o zelador se desse conta já eram dez e meia 

querida angélica não pude ir tive um pequeno 
acidente doméstico meu cabelo se enganchou dentro 
da lavadora na verdade está preso até agora estou 
ditando este e-mail para minha vizinha 

querida angélica não pude ir meu cachorro
 morreu e depois ressuscitou e subiu aos céus 
passei a tarde envolvida com os bombeiros 
e as escadas magírus 

querida angélica não pude ir perdi meu cartão 
do banco num caixa automático fui reclamar 
para o guarda que na verdade era assaltante 
me roubou a bolsa e com o choque tive amnésia 

querida angélica não pude ir meu chefe me ligou 
na última hora disse que ia para o havaí 
de motocicleta e eu tive que ir para o trabalho
de biquíni portanto me resfriei 

querida angélica não pude ir estou num 
cybercafé às margens do orinoco fui sequestrada 
por um grupo terrorista por favor deposite 
dez mil dólares na conta 11308-0 do citibank 
agência valparaíso obrigada pago quando voltar

--- fim da carta

Essa carta é 100% original embora não esteja na íntegra e tem comprovante de autenticidade concedido por mim mesma a autora aqui mesmo nessa frase. Eu escrevi e enviei essa carta por email agora mesmo, como sempre faço com meu amigo Pedro,  e decidi salva-la aqui também porque faz um tempo que paramos com isso e acho que ela mostra muito de como estou agora e agora nesse exato momento estou muito escrita e cartas e falação. 

carta para um estranho

arte por Alekats

Querido estranho,

Tenho esse sentimento constante que ninguém quer me ouvir falar. É tão maçante e revoltante e triste e e e e e e e e tudo que há de ruim no mundo, ser animada sozinha, não ter com com quem dividir nada. Fico pensando em como eu me fecho dentro de gavetas e envelopes e cadernos e e e e e e e e e e me corto os ramos pensando em como sou chata e fico me remoendo, me culpando. A falta de mundo e de gente me deixa mais insegura ainda eu não tenho mais planos, objetivos e nem vejo nada daqui um ano ou cinco. Tem dias que queria dormir dormir e não acordar nunca mais. Todas as minhas roupas são feias e meu rosto e nojento e tudo em mim é tão raso e insignficante. Desculpa pelas minhas lágrimas, não quero falar sobre isso mais, vou resolver sozinha e te chamar pra um passeio na floresta, colher flores e tirar fotos enquanto corre olhando para trás xiiis cair e dar a mão e tomar água na torneira, decorar poesias e gritar a noite bem alto. Não me sinto mais viva e é só não e não. Já sei que sempre pode piorar e que todas as minhas músicas tem cheiro de roupa guardada e jeito de louça suja. 

Desculpe incomodar, 

G

PS: se me responder eu prometo de todo o meu coração ouvir e ser melhor que isso, não quero ser reconfortada apenas mudar de assunto.

iris

não encontrei o autor ☹
Querida Iris,

Estou tendo grande dificuldade para começar a escrever, já que de fato, ate agora, nunca conversamos de verdade. Não sabia nada sobre ti, até aquela festa no final do ano passado da tua turma, a qual descobri que nossas músicas combinavam. E eu adoro conhecer pessoas com gostos que combinem com os meus. Notei como era diferente das outras meninas da tua escola, era simpática e bastante querida. Nós, eu e Bruno, te acompanhamos no final da festa, ate a entrada do condomínio. Então eu soube que tu não morava na cidade, e pretendia ir para a mesma escola que eu. Fiquei animada em pensar que poderíamos estudar juntas. 

Não fomos colegas. E nunca conversamos desde que começou o projeto de desenhos da escola, no final do ano. Não sabia que tu desenhava. Nem que pintava, bonitas artes em tinta acrílica. Como se imagina um artista, limpa os pinceis nas costas da mão e escolhe cores com o coração.

Acredito que tu tenha muito mais segredos e habilidades secretas. Espero que ainda possamos um dia conversar bastante. Queria não ser tão tímida.

Com amor,
Gabriela

ao meu primeiro amor

não sei se é ela mesmo ☹
Para o meu amor (não) correspondido,

A primeira vez que te vi. Isso foi a alguns meses atrás, mas lembro disso todos os dias. Isso me persegue e condensa em todas as minhas memórias. Tudo que sai da minha boca acaba tendo fim em algo que me lembra de ti. Nunca irei dizer nada, pois sou covarde. 

Em novembro, no sábado. Talvez tu não se lembre disso, talvez só eu tenha visto. Mas vou lembrar disso todos os dias, e estará em todas as minhas memórias. Nunca mudarei nada. Quando me abraçou de repente, e eu provavelmente corei e corri. Eu queria que fosse assim todos os dias. 

Pensei nisso durante as férias de verão inteiras. Principalmente pela manhã.  Que era feliz e triste. Eu queria que todos os dias fossem como aquele, mas eu tenho medo e não vou dizer nada, não vou mudar nada e nem fazer nada. Vou guardar isso em segredo, pois só pertence a mim.    

1° de setembro

Querido Vitor,

Como é o ensino médio no Canada? Como esta sendo passar todos esses dias ai? E muito diferente da Irlanda? Sente saudades do Brasil? De alguém daqui? O que tu se lembra daquela sexta-feira, que jantamos para celebrar teus últimos dias conosco? Eu me lembro que nem falamos direito, nos perdemos um dos outros na rua e no fim nos encontramos na praça falando da arquitetura da catedral. Como eu odeio aquela arquitetura, e a pintura do fundo. Ugh! 

Eu não teria coragem, de agora, ir para um lugar desconhecido sozinha. Queria ter essa coragem, mas eu sou fraca e me sentiria bastante triste. Ainda mais pelo meu inglês que é horrível. Desejo que tu se divirta bastante, aproveite o intercambio, compre CDs de cantoras pop (e cante todos eles  num karaokê, o qual eu vou gravar), veja corridas de cavalos com saltos duplos, visite muitos museus. E quando enfim voltar, conte como é, como foi, e tudo mais, enquanto saímos para comer um crepe suíço.

Com amor,
Gabriela

PS: uma foto de praticamente um ano atrás, no halloween, que não iremos poder tirar de novo esse ano  

de quando cantávamos rita lee


Querida Sabine,

Essa é a primeira vez que escrevo uma carta de verdade, e por mais que tu não a leia muito em breve espero algum dia ter coragem, não de entregar apenas essa mas a de todos para os quais irei escrever. Sempre achei a ideia de trocar cartas um ato muito bonito, e de como seria legal durante a idade média. 

Nós nos conhecemos desde os cinco anos, estou escrevendo no ultimo dia de julho de 2017 então temos um total de 11 anos de amizade. Isso significa que dependendo de quanto iremos viver talvez seja a metade, um terço, ou um sétimo de nossas vidas. 

Desde quando nos vimos a primeira vez, quando por um algum motivo tudo que acontecia de ruim era culpa minha, vivemos muitas aventuras e desventuras. Fizemos amigos novos, e vimos eles irem embora. Fizemos trabalhos juntas, e sempre eram muito bons. Escutei muitas vezes tu ler em voz alta os textos que escrevia, e ate mesmo os que não eram teus. Eu nunca gostei de mostrar o que escrevo, mesmo que alguns eu até mostrasse. As várias composições musicais que fizemos juntando trechos de frases que ouvíamos das pessoas. As vezes que íamos a biblioteca, (se alguém perguntar, não combinamos. Foi por acaso, tudo bem?), e ficávamos a tarde inteira abrindo livros e lendo trechos aleatórios, rindo e conversando. De quando nada estava bem, e eu não sabia o que fazer (desculpa, eu nunca sei). Quando tu escreveu um poema sobre nossa amizade, e tínhamos apenas uns 7 anos. E todas as vezes que era impossível parar de rir durante a aula inteira. E de como sempre tivemos gostos semelhantes para música, cantávamos Rita Lee, fazíamos coreografias com músicas do Titãs e versões alternativas de Franz Ferdinand. E aqueles papeis coloridos que recortávamos dos exercícios do 3° ano pra passar bilhetes, a agenda do Sitio do Pica-Pau Amarelo e o código PigPen que ainda hoje ninguém intendeu. Tu é a melhor amiga que eu poderia ter, e espero que sempre seja.

Com amor,
Gabriela