fracassos no infinitivo

Ill in Paris - Lucian Freud

por que estou fazendo isso? Fracasso em
manter o meu trabalho em ordem para que
eu possa encontrar as coisas
pintar a minha casa
conseguir dinheiro suficiente para eu viver
reorganizar a casa para que eu
consiga pintar a casa &
encontrar as coisas e
conseguir dinheiro suficiente
para fazer livros
ter tempo
para responder a correspondência & os telefonemas
limpar as janelas
tornar a cozinha melhor para o trabalho
ter dinheiro para comprar um rádio comum
para escutar enquanto trabalho na cozinha
saber o suficiente para fazer o trabalho de adulto no mundo
transcender a minha atitude
em relação a uma pobreza imposta
esperar que os meus cheques
cheguem na hora certa por correio
não esperar sempre que não chegarão
esquecer as atitudes da minha mãe sobre a humildade ou
continuar assumindo-as sem sofrer
esquecer como minha mãe azucrinava meu pai
sobre dinheiro, e minha irmã não posso revelar
fracasso em esquecer a mãe e o pai o suficiente
para crescer, em esquecê-los
esquecer meu tio obsessivo
lembrar deles de outro jeito
lembrar seu preconceito com precisão
parar de sonhar sobre leões que é o mesmo
que sonhar com les, eu pus a minha mão dentro da boca do leão
amenizar sua raiva, isso não é um fracasso
perceber que era assim que estavam; fracasso
em transplantar as flores
ser organizada
criar & preservar as superfícies limpas
deixar o sofá ou a cadeira ser lugares onde possamos nos sentar
em vez de mesas
der a mesa ser um lugar para comer & não uma escrivaninha
ouvir mais música popular
aprender as letras das músicas
não precisar de dinheiro
para que eu possa escrever o tempo todo
não precisar pagar o aluguel ou as contas de telefone
esquecer as mortes prematuras dos pais do tio
ficar livre da expectativa de ser cuidada; fracasso
em amar os objetos
de achar que eles são valiosos de algum jeito; fracasso
em preservar os objetos
comprá-los e agora deixá-los de laod; fracasso
em pensar nos poemas como objetos
pensar no corpo como um objeto; fracasso
em acreditar; fracasso
em não saber nada; fracasso
em saber tudo; fracasso
em lembrar como se escreve fracasso; fracasso
em acreditar no dicionário & que há qualquer coisa
a ser ensinada; fracasso
em ensinar direito; fracasso
em acreditar no ensino
pensar que todo mundo já sabe tudo
que não é meu fracasso; eu sei que todo mundo sabe; fracasso
em ver que nem todo mundo acredita nesse tipo de saber e
pensar que não podemos durar até alçarmos o conhecimento
lavar a louça, só leva dez minutos
escrever mil poemas em uma hora
escrever um épico, abrir a janela imunda
permitir você sabe quem chegar e
afastar os pensamentos e poemas das preocupações
apenas nos assegurar que vamos fazer isso
pintar os seus tetos & paredes de graça


poema de Bernadette Mayer
(Bernadette Mayer Reader, 1968 - traduzido por Luiza Leite)

039: o que tenho feito além de tudo isso

série: The Middle

Não tenho feito nada de interessante ou útil ou maneiro.
Desejo todos os dias estar passeando pelo mundo afora, na cidade que não tem mais fim como em  uma das músicas que não tem saído da minha cabeça ultimamente. Eu gosto de ficar pensando na origem de cada música e coisa que descobri, tentando encontrar os cruzamentos e laços de uma coisa com a outra e como tudo chegou aqui. Também já faz quase uma semana que água de beber, água de beber camará chega e me obriga a repetir tudo em voz alta sem parar e só hoje parei pra ouvir e ver que tem muito mais coisa sendo dita, coisas que não me afligem mas gostaria que estivessem.

série: Young Sheldon
Assisti toda a série The Middle. Nunca tinha ouvido falar dessa série e ela é bem legal, também não saio falando que assisti. Minha mãe não gosta muito porque ela acha os acontecimentos reais demais. Também assisti quase tudo de Young Sheldon, e minhas personagens favorita é a Missy e a Connie. Eu realmente não suporto Big Bang Theory. Vi Monster, mas não o Monster de verdade como acabei descobrindo no meio, mas um filme chamada Monster da Netflix sobre crianças que são sequestradas. Por fim tenho visto Sex and the city, o que me dá muita saudades da metrópole e me faz desejar coisas inalcançáveis. 



Esse mês faço aniversário. Vou deixar a festa pro próximo mês. Todo esse tempo tenho pensado em cidade, por causa do tema do mês da  Blush, da história da Lovefoxxx do Cansei de Ser Sexy, da Girls who cluster, de Sex in the city e muito provavelmente porque eu não tenho vivido tudo isso.

038: volta no tempo

2 de maio, quinta-feira, já fazia quase uma semana que chovia incessantemente e as aulas foram canceladas e a Casa de Cultura, onde faço estágio, foi fechada. Nesse dia eu voltei para Osório, que é onde moro de verdade quando não tenho aula, pensando que voltaria no domingo ou segunda, mas até agora não voltei e as coisas continuam fechadas e cheias de água e sem energia e um caos que tenho medo de testemunhar ao vivo.

Eu não gosto de voltar pra cá e ficar mais que três dias, porque essa cidade morreu pra mim. Todas as minhas recordações são meio sofridas, e todos os meus amigos de verdade estão em Porto Alegre comigo e temos o péssimo hábito de não vir pra cá nos mesmos fins de semana. Eu fico em casa, sem vontade de sair sozinha porque não tem nada pra se fazer aqui, todas as coisas precisam ser inventadas. Minha câmera fotográfica já esta sem bateria e eu não tenho como carregar. Teve um dos primeiros dias que fiquei tão irritada em ficar sozinha aqui que não conseguia suportar a existência da TV. Meu quarto está em reforma porque o prédio teve um problema na outra vez que choveu e estragou vários moveis, todas as minhas coisas estão em caixas a meses. 

Nessas semanas esta fazendo muito frio, e como todo mundo ficou desabrigado em Porto Alegre, a cidade aqui encheu. O centro tinha muitas pessoas, e dá para notar que elas não são daqui e isso me fez imaginar como seria se todo mundo de lá se mudasse para cá. Muitos amigos e conhecidos voltaram e até nos vimos sexta no bar que tem em frente a minha casa. Mesmo ainda tendo alguns amigos aqui muitas vezes quando saímos me sinto meio deslocada mas mesmo assim prefiro estar ali do que em casa. Sinto que minha mãe e meu irmão não suportam me ter por tanto tempo, e nem eu. 

Sinto saudade da liberdade quase inteira e de passear por ai e de ter o que fazer e de não ter medo. 

Ontem o Juan e Bruna, namorada dele, vieram nos ver e os pais do Enrique fizeram cachorro-quente pra gente comer na garagem. E antes disso passamos a tarde no salão de festas do edifício do Val tirando fotos e cortando cabelos e comendo bolo de chocolate. E entre isso fomos no mercado e compramos vinho, e ontem anunciamos que já deveria começar a temporada do quentão com gemada porque o frio está de doer e descobrimos que agora é proibido ficar no largo depois da meia noite.









seja um leitor vip!!

eu quero escrever mas eu não quero que leiam e eu quero que leiam mas eu não quero saber que leram ao mesmo tempo que quero que leiam e me digam que leram mas sem eu saber que leram. é tão difícil ser e viver e morrer e voltar e escrever e ler e reler e lembrar e todas essas confusões de ser e será. 
 
talvez o blog fique fechado por um tempo porque eu não tenho coragem e tomei um susto e quase bati de cara numa porta de vidro e corei de vergonha e espirrei. se quiser continuar acompanhando tudo aqui de uma forma secreta e vip e exclusiva e acima tudo grátis free 0-800, deixe seu email nos comentários que vou por todos os nomes na lista de acesso. com ingresso grátis pros próximos shows, aqui, no mesmo endereço de sempre e sem aviso prévio dos dias e horários, só com músicas inéditas e exclusivas.

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