down down in the high society


Perfumes da Granado, queijos finos, conversas com imaginação, as coincidências, tecidos nobres, sapatinho, livros que ressoam, palavras engraçadas, luminárias e abajures, moveis com desenho, desenhos toscos de grafite, tropicália, cinema novo, frutas e legumes, manjericão, chocolate, som de teclado, piano, jazz, sussuro, sofá, veludo, seda, cashmere, rúcula, Whiskas sachet, beijo, pijama, unhas feitas, vinho, especiarias, camisa branca, meia calça, visita surpresa, ligação de telefone, email, madeira, correio surpresa, presente surpresa, festa surpresa, cachecol comprido, praia, Aperol Spritz, Moscow Mule, cinema, ceviche, quiche, torta, chá, porcelana, moldura, espelho de bolso, sutiã de renda, sacada, varanda, roseira, luz do sol, lareira, óculos escuro, água com limão, acordar sem despertador, amizade, vela, fogo, modelo vivo, banqueta, viajar, gelato, espelho de corpo todo, terraço, escada, não, escadaria, ouvir, anotar, prever o futuro, arriscar, ler em voz alta, contar um segredo, café especial, pintar em tela, carvão, carne assada, o pelo do gato, colchão de mola, lata, poesia, papel, voz aveludada, baú, otomana, lencinho, degustação, premiere, massas, gengibre, gravura, passe-partout, respiro, suspiro, gargalhada, caixa de som, capas, hot yoga, corrida no parque, observação de pássaros, penteado, blush, o tédio. 

049: acidentes

Hoje é dia 15 de abril de 2026 e eu já fui em 7 aniversários, 6 festas de formatura e perdi mais aberturas de exposição do que gostaria, fiquei doente quase uma semana e voltei para minha cidade natal umas 3 ou 4 vezes. Na segunda-feira A. que trabalha comigo, mas em outro setor, me amaldiçoou por andar de bicicleta sem capacete. Eu não tenho capacete, é muito caro e eu sempre gostei de andar de carro sem cinto e de atravessar a rua sem olhar direito para os lados. Faz menos de 4 anos que comecei a ter medo do trânsito e de quão violento pode ser uma batida entre automóveis gigantes e descontrolados. Esse também é o tempo que nutro uma vontade imensa de atravessar a avenida perimetral correndo olhando apenas para frente usando um vestido branco esvoaçante, desejando freadas abruptas e capotas amassadas. Foi esse ano que assisti Crash (1996) pela primeira vez e sai do cinema insatisfeita com a quantidade de batidas e ação que haviam me prometido e foi semanas atrás quando a poucos metros a minha frente vi uma moto batendo contra um ciclista parado que fazia guarda no semáforo e arremessando ele longe.

filme: Crash (1996)

Ontem a noite eu sai para andar de bicicleta como é de todas as terças, o freio de trás estava inútil desde a semana passada e eu prometia para mim mesma que levaria para consertar logo. Nós subimos e descemos lombas o trajeto todo e depois da parada na praça misteriosa, no meio do caminho, eu comecei a me acostumar que deveria frear sempre com a esquerda e foi isso que fiz quando a bicicleta empinou na descida e eu cai de joelhos no asfalto quente. Tudo do lado esquerdo estava pior, mais sangrento e lanhado. Senti como uma cambalhota engraçada em camera lenta mas tudo era muito confuso e difícil de lembrar. Alguém levou minha bicicleta, intacta, para a calçada e eu fui sentar lá também, esperar a dor acalmar. O que me deixava mais aflita era a panturrilha que doía mas não tinha nada e até agora é so uma dor invisível. Semana passada tivemos uma aula sobre amputação, fetiche, membros fantasma e coisas que nem me lembro mais, lemos partes de Fantasmas no Cérebro de Vilayanur S. Ramachandran e Sandra Blakeslee e discutimos essa coisa louca que é sentir algo que não esta mais lá. Então eu cheguei em casa e não conseguia esticar nem caminhar com a perna direta, tomei um banho dolorido e lavei o sangue com água morna. Eu sentia que devia chorar mas não conseguia. Não lembro de sentir toda essa dor quando ralava o joelho na infância ou de imaginar que poderia ser pior, de me sentir diminuta e incapaz. Fui dormir sem falar nada. 

048: uma série de acontecimentos e remediações

Estou doente desde segunda-feira, são os anjos me castigando por querer viver a beça.
Uma série de acontecimentos e remediações:
dor de garganta ao acordar: hexomedine
cheguei ao fim do dia: sem voz 
aula: sair a rua 
rua: lomba, sol, uivar, corrida, pavor, listas, anotações; 
dor de cabeça, fadiga, falta de ar: repouso 
infecção na garganta: azitromicina 
febre: paracetamol 
ligações de minha mãe: a cada quinze minutos, terminando sempre com, seria bom voltar    
filmes: cochilo 
frio: termômetro  
tosse: pastilha 
dor nas costelas de tossir: rezar 
coriza: soro 
nariz: papel 
almoço: strogonoff 
dor no estômago: água de coco (o antibiótico destruindo meu estômago como um monstro voraz) 
     fim da tosse: leite com açúcar e canela

E o mundo acontecendo e vários convites e eventos e fotos e eu sem puder passar nada pra ninguém. 

terça-feira: abertura de exposição no trabalho 
sexta-feira: sair para fotografar, cinema 
sábado: diversas aberturas, evento no instituto cultural r., gravação do filme no terraço (adiado), leilão de arte, diversas aberturas de exposições que parecem muito boas! + ver amigos queridos
domingo: almoço no Beverly, jogo de cartas, clube de leitura em voz alta, jogo de taco